4Lab Co

“O desafio para a construção de uma aprendizagem socioemocional efetiva” e como o Bett Brasil 2022 ajuda a entender essa abordagem

Com sala lotada, a palestra do  o sócio fundador do Semente Educação, Celso Lopes Souza gera debates

“Pela primeira vez na história, ninguém pode afirmar com segurança como vai ser o mercado de trabalho daqui a 20 anos. […] se você não percebe a rapidez com que as coisas estão mudando, você está com a maioria. Isso acontece porque nós raciocinamos linearmente […] a velocidade das transformações vem sendo exponencial.” É com essa contextualização que Celso Lopes Souza, o sócio fundador do Semente Educação abre a palestra “O desafio para a construção de uma aprendizagem socioemocional efetiva” no Bett Brasil 2022. Celso também explica que o “Segundo Alvin Toffler, o analfabeto do Século XXI não vai ser aquele que não sabe ler e escrever, e sim aquele que não sabe reaprender. […] E ele diz isso por que em um mundo em constante transformação, o máximo que precisamos ter é que o nosso potencial seja capaz de lidar com transformações e mudanças.”

Existem características humanas, já mapeadas, que ajudam nessa flexibilização necessária para esse futuro incerto, as chamadas competências socioemocionais. Essas competências  são os padrões no nosso modo de pensar, sentir e agir. Se resumindo em 5 grande famílias: A autogestão, que engloba a  determinação, organização, foco, persistência, responsabilidade; A abertura ao novo, que contém curiosidade para aprender, imaginação criativa, interesse artístico; A resiliência emocional, com a tolerância ao estresse, autoconfiança, tolerância à frustração; O engajamento com os outros, com a iniciativa social, assertividade, e entusiasmo; E, por último, a amabilidade, que garante a empatia, respeito, e confiança.  

“O fórum econômico mundial, informou em seu último relatório que estamos à beira de uma crise educacional. Precisamos deixar de apoiar somente uma abordagem, seja ela somente as competências cognitivas ou as habilidades socioemocionais e aprender a mesclar e lidar com as duas frentes. […]  O Instituto Ayrton Senna fez uma pesquisa mostrando que as competências socioemocionais são importantes para o aumento de nota – que faz parte das competências cognitivas – , saúde mental e bem estar”, declara Celso. A pandemia de Convid-19 ajudou a acelerar esse processo de mudança, mostrando a necessidade de buscar apoio nas duas teorias.

O ele explica sobre o desenvolvimento dessas habilidades e como elas são transmitidas, “Todos nós temos essas capacidades – competências socioemocionais – mais ou menos desenvolvidas. Aliás, é isso que nós transmitimos para os nossos descendentes, sabemos que isso tem uma característica genética. O que nós passamos para os nossos descendentes? A velocidade de aprendizagem, em uma penetrância de 40% a 50%. Isso significa que, pais que têm facilidade na persistência, por exemplo, têm de 40% a 50% de chance de transmitir essa capacidade para seus filhos. E o que determina isso é a exposição, a mentoria adequada.”

A neurociência sabe, hoje, que 100% de toda decisão humana tem um componente emocional. O que torna ainda mais imprescindível desenvolver as competências socioemocionais, principalmente nas escolas. “Hoje sabe-se que quando as competências da família da autogestão estão pouco desenvolvidas, ficamos mais doentes, morremos mais cedo e isso ocorre por que nos cuidamos menos. Já o pouco desenvolvimento da resiliência emocional causa mais rupturas em relacionamentos e divórcios”, exemplifica.   

Hoje,  essas habilidades devem ser desenvolvidas nas escolas, pois estão presentes na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), “Tudo do que a gente está falando virou norma, com a BNCC e isso é uma conquista […], nós não deveríamos trazer isso para sala de aula somente porque virou lei, mas sim por que é certo!”

Por fim, o palestrante ajudou a plateia a identificar situações onde podem ser trabalhados as habilidades socioemocionais, e como aplicá-las no dia a dia. “Agora, se educadores e gestores não forem formados para saber tudo que estamos falando, não vai adiantar nada”, finaliza. 
Logo após, a moderadora Simone André, da Transverso Assessoria, abriu uma sessão de perguntas, onde as dúvidas do público foram respondidas.  

Bárbara Cardi Camarini

0 comentários