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Em seu segundo dia, Congresso Brasileiro de Educação debate educação básica e superior, inovação e saúde

O evento é totalmente online e suas palestras são disponibilizadas no YouTube

O dia começou com a mesa “Educação Superior”, ministrada pela Drª Profª Arlinda Cantero Dorsa, que cursa estágio pós-doutoral na Universidade UNISUAM-RJ. E  a Drª Profª Iamara da Silva Viana, docente do Departamento de Estudos Aplicados ao Ensino UERJ, Professora do Departamento de História da PUC Rio. 

Em seguida, a mesa “Educação Básica e Inovação” teve início. A Drª Profª Márcia Cristina Pereira Spíndola, não pode participar por problemas de Saúde. Mas a Drª Profª Rebeca de Alcântara e Silva Meijer, professora Associada, Classe D, nível I, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), com lotação no Instituto de Humanidades(IH), realizou a palestra. 

A mesma explicou um pouco mais sobre a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, e suas propostas inovadoras. A UNILAB é uma instituição de ensino superior pública federal brasileira, sediada na cidade de Redenção, no estado do Ceará. Redenção foi escolhida por ter sido a primeira cidade a abolir a escravidão no Brasil segundo alguns historiadores. De acordo com a legislação, a UNILAB tem como objetivo ministrar ensino superior, desenvolver pesquisas nas diversas áreas de conhecimento e promover a extensão universitária, tendo como missão institucional específica formar recursos humanos para contribuir com a integração entre o Brasil e os demais países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), especialmente os países africanos, bem como promover o desenvolvimento regional e o intercâmbio cultural, científico e educacional.

A Drª Profª Rebeca de Alcântara e Silva Meijer chegou a UNILAB em 2012 para criar um curso de pedagogia afrocentrado, que não pretendesse a recolonização das mentes. A proposta é influenciar a formação de professores das humanidades e os impactos da não colonização para beneficiar a educação básica. A doutora explica um pouco mais sobre essa proposta, “Eu sou de didática, práticas de ensino. Eu venho desenvolvendo na UNILAB, pela própria missão da universidade, uma didática que combate o racismo, a descriminação e a recolonização das mentes dos professores, para que eles possam ingressar profissionalmente na educação básica com essa mesma proposta, de humanizar, reconhecer, procurar não eurocentrar a educação básica, como vem acontecendo na história da educação.”  

A professora apresentou o dispositivo do conto para escrita de si, como estratégia inovadora que visa o fortalecimento da educação para as relações étnico-raciais desde a didática afrocentrada. “Falar sobre a educação básica é falar sobre essa relação intrínseca que há entre a universidade e a escola, e que nós, professores universitários, professores do ensino superior não podemos esquecer. Nós estamos para a educação básica, nós estamos a serviço da educação básica. No sentido de produzir conhecimento, no sentido de dialogar com os colegas da educação básica, e a partir daí transformar a realidade para  melhor, humanizando a educação, potencializando esse nível de ensino”. 

O currículo com uma didática afrocentrada nasce da didática nos países da integração da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, levando sempre em conta a cultura desses países. Um exemplo disso é a Guiné-Bissau, onde popularmente se fala criolo. Mas, como o país foi colonizado por Portugal, toda a educação formal é feita obrigatoriamente em portugues, e, para maioria dos alunos, o primeiro lugar que eles têm contato com a língua portuguesa é na escola. Isso resulta em um impacto muito grande. A proposta da UNILAB é trazer essas discussões e formar professores que as levem adiante. 

Para isso, utiliza-se uma linguagem não racista e não eurocêntrica; O combate ao racismo de modo geral; A identidade profissional pautada no pertencimento afro, ou seja, no reconhecer-se docente afrodescendente e depositário de um legado cultural, histórico e civilizatório de matriz africana; E se baseia na implementação da Lei n° 10.639/2003 e Lei n° 11.645/2008. Bem como, a utilização de pensadores e filósofos Senegalês, Cheikh Anta Diop  e do professor Afro-Americano, Molefi Kate Asante, são os principais nomes.

“Segundo um grande professor que defende a didática Afrocentrada […], ele costuma dizer que afrodescendente é todo ser humano. Inclusive os africanos são afrodescendentes, pois todos descendem do continente africano. […] Nós, negros, não podemos nós fechar, não podemos recusar parecerias com os brancos, com os professores brancos. Por que todos nós estamos engajados na humanização da educação, somos todos parceiros.”, explica a Drª.  

A Drª Meijer, utiliza o dispositivo do conto para implementar essa educação anti racista nas escolas. Tudo começa com uma contação de história. Normalmente essa história é centrada nessa afrocentricidade, mas pode também abordar outros temas, como educação sexual ou ambiental. Em um segundo momento, os alunos são levados a escrever seus próprios contos, que apresentam algumas obrigatoriedades: A aparência do Personagem; Personalidade; Ambiente; Uma memória negra; E um ensinamento para si e para os outros. Para exemplificar, a Meijer apresentou o seguinte conto: 

“Meu nome é Maria. Sou uma menina negra e muito bonita. Meu cabelo é volumoso, minha pele é marrom escuro. Eu tinha vergonha de ser assim, mas um dia eu conheci um Orixá coberto de palhas. Ele pegou na minha mão e me mostrou como a África é bonita, grande e que tem muita gente igual a mim, assim como minha pele e meu cabelo. Então eu vi que ser negra é lindo” (Conto de uma aluna do 5° ano da escola Redenção – CE) 

Ela finaliza dizendo “Tudo que discutimos nessa mesa, é a ousadia de ver a realidade escolar de uma perspectiva, de uma ótica que a gente nunca viu. A gente deve se distanciar um pouco do cotidiano, da rotina escolar […] e que se focar, ver a educação, o ensino, as relações na escola de uma perspectiva de ‘cabeça para baixo’ ou de ‘lado’, procurando ver outros lados, as sombras, as luzes, os focos daquela realidade escolar, de diversas maneiras, a gente consegue inovar.” 

Durante a tarde, aconteceu a “Apresentação de comunicações – Sala 02”, com Jacqueline de Cassia Pinheiro Lima, e “Apresentação de pôsteres – Sala 03”, com Francisco Alexandre Araújo Barros. 

Para assistir a mesa na íntegra, acesse

Para finalizar o dia, a mesa “Educação em Saúde”, contou com a Drª Profª Inês Leoneza de Souza, que é professora Adjunta IV do Campus UFRJ/ Macaé. Especialista em Saúde Coletiva/Gerência de Unidades de Saúde e Redes de Atenção à Saúde no SUS. E a mediadora Drª Profª Kátia Eliane Santos Avelar, coordenadora do Laboratório de Referência Nacional para Leptospirose do Instituto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). Professora Titular e Pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM). 

“Educar para saúde é mudar as nossas concepções e condições de vida, […] a educação antecede a saúde, quando você tem acesso a informação e a essa condição de fazer uma análise crítica, você escolhe, entende e se intervém por princípio, é completamente diferente do que você faz por obrigação ou por que teve uma ordem. A vacina durante a pandemia é um exemplo disso.”, disse a Drª Profª Inês Leoneza de Souza.  

A mesa deu continuidade falando sobre políticas públicas de saúde, os desafios que foram vividos durante a pandemia e a necessidade de uma educação, não necessariamente formal, para uma boa saúde. 

Ao final, foram respondidas perguntas. 

Para assistir a mesa na íntegra, acesse

Bárbara Cardi Camarini

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