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Educadoras Inspiradoras: conheça 10 mulheres que estão fazendo a diferença

Educar-se para ser uma boa dona de casa. A entrada tardia das mulheres no sistema educacional brasileiro esteve, por muito tempo, limitada ao ensino de tarefas domésticas e aos papéis sociais desempenhados por elas.

Apenas com a Proclamação da Independência, em 1827, a primeira legislação com regulamentações acerca do ensino primário no Brasil foi editada. Enquanto meninos aprendiam a pensar logicamente, por meio da inserção do ensino de operações básicas aritméticas, as meninas possuíam um currículo voltado à educação para o lar.

Mulheres que integravam o corpo de professores enfrentavam disparidades salariais e limitações no exercício da profissão em um mercado de trabalho restrito – elas só podiam dar aulas para outras mulheres, minorias nas salas de aula.

Anos mais tarde, o surgimento de escolas protestantes possibilitou a criação de salas de aula mistas. Essa quebra no monopólico católico representou uma crescente demanda por profissionais da educação no final do século XIX e o trabalho feminino ganhou espaço para atuação. Por volta de 1910, o magistério começou a ter uma forte presença de mulheres e elas passaram a ocupar, majoritariamente, as vagas para ensino básico.

Coisa de Mulher

A entrada de mulheres no ensino superior foi permitida pelo governo apenas em 1879. No entanto, devido ao preconceito e dificuldades financeiras, a participação feminina foi muito pequena e restritas às classes mais altas nas primeiras décadas. A incessante luta feminina para o acesso às instituições possibilitou que, aos poucos, mulheres se tornassem doutoras, mestras e especialistas em diferentes áreas do saber.

Um levantamento do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) realizado em meados dos anos 2000 mostra uma mudança na configuração do ensino superior no Brasil devido ao aumento de mulheres no mercado de trabalho em busca de um melhor nível escolar. O documento afirma que a década de 1990 marca uma virada das mulheres, que ultrapassaram os homens em nível de escolarização, anos de estudo e alfabetização em grupos com até 39 anos de idade.

Além disso, os dados do IBGE (2010) apontam que as mulheres são minoria em apenas cinco profissões: Ciência da Computação (22%), Engenharia Civil e Construção (28%), Cursos Gerais de Engenharia e profissões da área (30%) e Saúde (48%).

Educadoras Inspiradoras

Se o acesso à educação e ao mercado de trabalho é uma luta árdua na vida das mulheres ainda hoje, a presença feminina em diferentes áreas simboliza uma porta de entrada para outras mulheres. Neste processo, o papel das educadoras é fundamental, pois possibilita que o conhecimento seja compartilhado entre mulheres.

Pensando nisso, reunimos 10 educadoras inspiradoras que têm feito a diferença no sistema educacional brasileiro – tanto pelas inovações que trazem, como pela luta para que meninas e mulheres tenham acesso a diferentes áreas do conhecimento. Para chegar até essas mulheres, recebemos indicações de nomes com iniciativas promissoras nas áreas de negócios, tecnologia, educação básica e políticas educacionais enviadas de todo Brasil. Confira a seguir! 

Débora Garofalo

Categoria: Cultura Maker | Iniciativa: Robótica com Sucata

Formada em Letras e em Pedagogia, a professora da rede pública de ensino atua como Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Débora desenvolveu o primeiro Centro da Inovação Básica de São Paulo, em meio à pandemia, que tem como missão democratizar o acesso às novas tecnologias e novidades a estudantes e professores. Além disso, ela é responsável pelo projeto Robótica com Sucata, que transforma a vida de jovens da periferia de São Paulo através do conhecimento de conteúdos de robótica e eletrônica utilizando materiais recicláveis. Os feitos renderam à Débora um Prêmio Professores do Brasil (na categoria novação na Educação) e a indicação de finalista no Global Teacher Prize.

Acompanhe via: Robótica com Sucata

Emilly Fidelix

Categoria: Formação de Professores | Iniciativa: Se Liga Prof

Emilly Fidelix, formada em História, é professora há 12 anos e atualmente também atua com a preparação e formação de professores através de seu portal @seligaprof no Instagram. A doutoranda em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina também é especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino, e ministra cursos online para aprimoramento de professores.

Acompanhe em: Se Liga Prof

Nina da Hora

Categoria: Tecnologia | Iniciativa: Computação da Hora e podcast Ogunhê

A pesquisadora em Pensamento Computacional formada em Ciência da Computação está sempre buscando por novas possibilidades. Nina é criadora das iniciativas Computação da Hora – canal do Youtube focado em ensinar conceitos e inovações na tecnologia – e o podcast Ogunhê, que tem o objetivo de compartilhar e apresentar cientistas do continente africano e suas contribuições científicas que ajudam a sociedade. Ela se denomina uma divulgadora da ciência e Hacker Antirracista – falando sobre pensamento computacional de maneira simples e gratuita e debatendo problemas como o racismo algorítmico.

Acompanhe em: Ogunhê Podcast e Computação da Hora


Rafaela Lima

Categoria: Ciências| Iniciativa: Mais Ciências

Nascida na comunidade da Maré, Rio de Janeiro, Rafaela Lima é Mestre em Biologia formada pela UERJ. A professora e palestrante leciona tanto na rede pública como na privada, mas encontrou no Youtube um espaço onde também pode compartilhar seu conhecimento através de seu canal Mais Ciências. Ensinando com muita diversão, o objetivo do canal é alcançar alunos que possuem limitações no acesso a materiais didáticos. Com mais de 150 mil inscritos, ela é uma importante representante na luta pela democratização da educação. 

Acompanhe em: Mais Ciências 

Winnie Bueno

Categoria: Incentivo à Leitura | Iniciativa: Winnieteca

Winnie Bueno, formada em Direito pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é fundadora do projeto WinnieTeca – que tem como objetivo democratizar o acesso à leitura para pessoas negras, conectando doadores de livros a quem está precisando. Assim, o projeto conecta doadores a leitores negros por meio da mobilização de mais de mil títulos – seja para buscar informações, estudar ou conseguir se preparar para o mercado de trabalho. 

Acompanhe em: Winnieteca

Bia Santos

Categoria: Educação Financeira | Iniciativa: Barkus Educacional

Bia Santos é um grande exemplo de emponderamento de mulheres através da educação financeira. Reconhecida pela Forbes na lista Under 30 na área de Ciência e Educação e parte do livro Somos Empreendedoras, do Itaú Mulher Empreendedora, ela é formada em Administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e tem em seus projetos e pesquisas os temas de  diversidade organizacional e finanças com foco em questões raciais. Ela já palestrou como convidada do TEDxUFF 2017, e é CEO da Barkus Educacional, edtech social de inclusão e educação financeira, uma das startups vencedoras do Menos30Fest, festival de empreendedorismo da Rede Globo.

Acompanhe em: Barkus Educacional

Bárbara Carine

Categoria: Escola Inovadora | Iniciativa: Escolinha Maria Felipa

A Escolinha Maria Felipa é uma instituição de ensino básico afro-brasileira de Salvador (BA) que tem como objetivo a educação voltada para a desconstrução da colonialidade e a luta contra a discriminação racial, repensando os marcos civilizatórios. Fundada pela professora Bárbara Carine, a escola se diferencia da educação convencional conhecida por trazer diferentes aspectos da história que também foram importantes para a construção sociocultural. O nome que batiza a escola lembra justamente uma heroína da história da Bahia e uma grande liderança negra no estado e no país – pouco citada na educação tradicional. 

Acompanhe em: Escolinha Maria Felipa

Janine Rodrigues

Categoria: Educação Antirracista | Iniciativa: Piraporiando

A especialista em Educação e Diversidade, Janine Rodrigues, já atuou por mais de 12 anos junto a comunidades tradicionais brasileiras, populações ribeirinhas, quilombolas e indígenas. Ela fundou o projeto Piraporiando, uma Edtech-Edutainment focada na criação de conteúdos e experiências educacionais antirracistas, antibullying e voltada à diversidade – temas importantes e urgentes tratados sem preconceitos e com muito afeto. Ela também é escritora e educadora, e foi considerada pela revista Forbes como uma das 12 pessoas negras inovadoras que estão elevando a educação no Brasil.

Acompanhe em: Piraporiando

Amanda Oliveira

Categoria: Organização da Sociedade Civil | Iniciativa: Instituto As Valquírias

Amanda Oliveira é fundadora e CEO do Instituto As Valquírisas, Organização da Sociedade Civil, instalada na Zona Norte da cidade de São José do Rio Preto (SP), dedicada a entregar oportunidades para meninas, mulheres e seus filhos em situação de vulnerabilidade social e emocional. Através da iniciativa, a empreendedora social luta contra os maiores problemas sociais que assolam a população desta comunidade, como o tráfico de drogas, o trabalho infantil e a prostituição.

Acompanhe em: Instituto As Valquírias

Maria Helena Gomes

Categoria: Educação Indígena | Iniciativa: Escola Indígena Raízes de Crateús

A professora e liderança indígena do povo Potyguara vive na cidade de Crateús, interior do Ceará. Ela possui uma forte presença na educação do município e foi uma das responsáveis pela abertura da primeira escola indígena da região – a Escola Indígena Raízes de Crateús. Maria Helena atua como diretora da escola e oferece um currículo que vai além dos conteúdos regulares, resgatando os valores culturais indígena como danças tradicionais, ensino da língua nativa, história de antepassados e defesa da memória do povo Potyguara. A professora participa ativamente da organização da comunidade, representando a educação ao lado de outras lideranças indígenas junto aos órgãos governamentais – possibilitando que o ensino indígena em Crateús seja referência em todo o país.

Maria Gabriela Zanotti

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