4Lab Co

Confira o que aconteceu no primeiro dia do Bett Brasil 2022

Com palestras que vão desde  “Lições aprendidas no pós pandemia” e “Agenda 2030 para educação” aos “A presença e importância das mulheres na educação”, veja alguns highlights do dia

A primeira palestra acompanhada pelo 4Lab, intitulada “Lições aprendidas pós pandemia”, contou com a participação de Ricardo A. Madeira, do Por A+B e Kátia Stocco Smole, do Instituto Reúna, bem como moderada por Monica Guerra, da Associação Parceiros da Educação, e discutiu as dificuldades na educação deixadas pela pandemia, e o retrocesso que a mesma trouxe ao país.

“Nós não voltamos de férias. [..] Não é para começar a aula e fazer uma semana de prova diagnóstica e seguir como se estivéssemos voltando de férias. Não é essa a situação, nós temos crianças e adolescentes órfãos, temos professores que sofreram perdas. Não vamos dar conta de tudo, e precisamos de um planejamento que entenda isso.”, discutiu Kátia Stocco Smole. 

Para conferir a cobertura completa dessa palestra, acesse.

Em seguida, fomos acompanhar a palestra “Agenda 2030 para educação”, que contou com a participação de Rodrigo Giorgi Reis, do Instituto Global Attitude e Claudia Costin, CEIPE /FGV-RJ, onde foi estabelecido que a Agenda 2030 é a necessidade uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo aprendizagem ao longo da vida para todos. 

“Parece um discurso genérico, mas é muito preciso. Se compararmos com o objetivo do milênio, que só falava em educação de acesso, e especialmente a educação primária para todas as crianças do mundo, agora estamos falando não só de acesso, como de conclusão e aprendizagem. Inclusive, especificamos que tipo de educação é essa”, afirma a Profª Claudia Costin. Munida com a ODS 4, que detalha toda a agenda 2030, a palestrante explicou a necessidade de entendermos como a pandemia vai impactar na agenda. “Não podemos fingir que nada aconteceu, Já existia uma grande desigualdade no Brasil, segundo o Pisa 2018 o Brasil é o segundo país mais desigual dos 79 pesquisados […], e  2 anos de escolas fechadas geram impacto ainda maior”. 

“A educação para o desenvolvimento sustentável, que está dentro da agenda 2030, propõe uma educação de qualidade. […] O que a gente tem agora é um currículo muito claro sobre como podemos abranger esse conhecimento desde cedo para os alunos” finaliza Rodrigo Giorgi Reis.    

A manhã contou também com as palestras “Políticas públicas para promoção da inclusão” com Giovanni Harvey, do Fundo Baobá para Equidade Racial; “Diálogo e empatia” com Sandra Berenstein Tudisco, da diretoria do Mão na Roda e Marina Assis Pinheiro, da UFPE.  

Durante a tarde, as palestras “Gestão das pessoas nas escolas”, por Artur Tacla, do SK Tarpon e Neilce Holanda, da Rede Damas; “Como buscar apoio para lidar com educação inclusiva”, com Juliana Postigo A. Borges, do Instituto ABCD e Ana Helena de Almeida Altenfelder, CENPEC; “Como aprender com as conversas?” com Caio Dib, Designer de serviços e consultor e Rafael Parente, do Movimento Agora! E a palestra “Pensamento visual: como registrar ideias de forma criativa? com Lucas Alves, de Ideia Clara e Júlia Pinheiro Andrade, Ativa Educação

Que são seguidas pelas palestras “Gestão educacional no mundo contemporâneo”, com Marina Cordaro Camargo, do Corus Consultores e Norton Moreira, do Hoper Educação; “O poder da inclusão, com a escritora Thais Basile, e terapeuta familiar Mariana da Rosa; “O desafio para a construção de uma aprendizagem socioemocional efetiva”, com Celso Lopes de Souza, da Semente Educação; “O futurismo na educação: um exercício que deve começar hoje!”, com a Beia Carvalho, do 5 Years from now e Alexandre Le Voci Sayad, ZeitGeist e UNESCO Mil Alliance.  

O dia contou com três palestras inspiradoras, “Provocação da Neurociência para gestão do novo ensino médio”, com Carla Tieppo, do Ilumne; “O mundo melhor quando a escola inclui todos” com Rodrigo Mendes, Instituto Rodrigues Mendes

Por último, a palestra inspiradora “A presença e importância das mulheres na educação”, com Rita Jobim, do Centro Lemann de Liderança para Equidade na Educação, Débora Garofalo, da Secretaria Estadual de Educação do Estado de SP e Ana Maria Diniz, do Instituto Península

Rita Jobim abre a conversa citando alguns dados do Centro Lemann de Liderança para Equidade na Educação sobre a igualdade de gênero nas lideranças educacionais: Entre as 2.200 pessoas participantes do programa de lideranças educacionais, 85% são mulheres. Quando separadas por cargos, as mulheres ocupam 85% dos cargos de direção. Entre os técnicos de secretaria, 84% são mulheres. Já o cargo de secretário da educação, a principal liderança da educação no município, esse percentual cai, para 57% de mulheres nesses cargos, com índices ainda menor no estado, que alcança apenas 37% de mulheres em cargos de secretária de educação.     

Já Débora Garofalo abre seu discurso trazendo alguns dados sobre a educação, “85% da educação é composta de mulheres, mas nem sempre essas mulheres chegam a cargos importantes. É difícil ainda uma mulher chegar a cargos de liderança, mesmo estando na educação. E um pouco disso vem da própria história, onde a mulher foi criada inicialmente para se limitar aos afazeres e depois vem toda uma luta nos anos 60 para começarmos a conquistar esse espaço. […] E uma vez conquistado, não são reconhecidas em condição de igualdade por salários” informou. 

“Eu posso falar na condição de professora mulher, que lida com tecnologia, e que sofreu muito preconceito por estar desenvolvendo no meio de uma comunidade um trabalho de robótica com sucata. Era muito comum no início do trabalho eu ouvir dos meus colegas professores homens […] que eu estava fazendo artesanato. A todo momento eu tinha que estar provando para os meus colegas que […] eu estava trazendo conhecimento eletrônico, mas trabalhando a questão da sustentabilidade. Eu precisei ser reconhecida internacionalmente por um prêmio, para ser reconhecida plenamente”, conta a professora Débora. 

“Para me preparar para essa palestra, foi procurar quando a educação passou a ter tanto protagonismo feminino. E eu fui entender que tem razões históricas, até o final  do século 19 a educação era majoritariamente feita por homens […], vindo do conceito de educação da igreja, então a educação não era para todos. Quando ela começa a ser mais democrática e ter uma inclusão maior, ela vira praticamente uma extensão do papel de mãe, uma continuidade do papel materno, dentro da escola. […] Isso traz consequências da sociedade, e tendo o lado positivo que retrata uma professora que tem muito delineado esse papel do cuidar, mas a consequência negativa é que vem com poucas características de um profissão “profissional”. Ela não se enxerga como profissional”, discorre Ana Maria Diniz. 

A palestra inspiradora vem ao fim com a conclusão  que o machismo estrutural existe, e deve ser combatido dentro da escola, com a educação transformadora e equitativa.  

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Bárbara Cardi Camarini

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