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Venom

Venoms da vida real

Assim como no filme “Venom”, seres estranhos vivem em simbiose com você e podem tanto te fazer trucidar um pedaço de bolo, quanto te proteger de infecções

Mais de 845 milhões de dólares foi o faturamento do filme “Venom”, lançado pela Sony Pictures este ano. Baseado em um anti-herói surgido nos quadrinhos do Homem-Aranha, o filme conta a história do ser de origem alienígena que toma o corpo do jornalista Eddie Brock, rendendo-lhe poderes super-humanos. Uma voz estranha passa a se comunicar com Brock e, com o tempo, a simbiose entre humano e extraterrestre gera um novo ser: Venom.

Moral da história: Venom, a saga de uma gosmenta criatura alienígena que precisa de um hospedeiro para viver em “simbiose”, transformou um termo da biologia em fenômeno pop.

“Ciência e cultura pop estão sempre juntas”, afirma o jornalista Marcel Nadale, que foi editor-chefe da revista Mundo Estranho e é fã de quadrinhos. Para o quadrinista e jornalista Alexandre de Maio, um roteiro de quadrinhos que tem recorte baseado em explicações científicas “tem que levar informação complexa de forma fácil de ser entendida e, ao mesmo tempo, com uma grande responsabilidade dos dados e dos fatos”.

“Na Mundo Estranho, usávamos muito a cultura pop para explicar conceitos científicos. Explicamos a regeneração da estrela do mar, usando o exemplo de personagens do Pokémon e explicamos a diferença entre ligas metálicas, usando os personagens dos Cavaleiros dos Zodíacos.”, diz Marcel.

Mas em Venom você não deve esperar uma aula de ciência. Ali, a vida real apenas inspira a origem de um personagem fictício. Mas o que existe de realidade na ideia de ter seres estranhos (e nojentos) se aproveitando do seu corpo, enquanto te dão uma mãozinha pra ter uma vida melhor?

Onde vivem os monstros

A simbiose acontece também no mundo real, inclusive agora mesmo, em suas tripas, enquanto você lê esse texto.
“A simbiose é uma interação que existe entre organismos vivos, ela pode ser benéfica, pode ser neutra ou prejudicial. Vivemos em simbiose constante com bactérias que formam nossa flora intestinal, por exemplo. Se tivermos baixas nessas floras, por conta de alguma doença, precisaremos repô-las”, lembra o biólogo José Pedro Vieira Arruda Júnior, formado pela Universidade Federal do Ceará.

Essas associações simbióticas fazem parte da nossa flora intestinal, mas dificilmente você ouvirá vozes sinistras na sua cabeça por conta da ação desses microrganismos. O único risco externo que elas podem causar é para algumas guloseimas que cruzem o seu caminho em uma condição específica de desbalanceamento.

“Vivemos em um sistema de simbiose com essas bactérias e elas podem alterar levemente nossas vontades. Por exemplo, quando ingerimos muito açúcar refinado, selecionamos bactérias no intestino que fazem o corpo ter mais vontade de comer açúcar”, explica o infectologista Rafael Sales. “Elas ajudam na digestão e vivem estimulando nosso sistema imunológico, ajudando a proteger o nosso organismo”.

E o filme Venom?

 

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Assim como na história de Venom, em que traços de personalidade e individualidades das capacidades físicas são trocadas entre simbionte e hospedeiro, criando um novo ser, isso também acontece fora da ficção.

Acredita-se que as mitocôndrias, as usinas de energia das nossas células, eram organismos independentes que passaram a viver em simbiose com nossas células e acabaram sendo absorvidas. Em contrapartida, as mitocôndrias encontram um ambiente seguro e propício para reprodução e desenvolvimento no interior das células.

Fora do corpo humano, a natureza também está repleta de relações simbióticas, algumas também já inspiraram produções cinematográficas. É o caso do peixe-palhaço, estrela do desenho “Procurando Nemo”, que vive dentro das anêmonas. Em troca da proteção dos tentáculos das anêmonas, o peixinho atrai alimento para elas.

Quem ganha com as “simbioses” entre mundo real e produções artísticas é o público, que consegue muitas vezes entender um assunto complexo de maneira divertida e descomplicada.

Giacomo Vicenzo & Fred Di Giacomo

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