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SXSW EDU

Para nos desenvolvermos, é preciso fazer a reconexão social

Oi, pessoal, tudo bem? Participei mais uma vez do SXSW EDU, conferência/festival sobre educação que acontece em Austin, nos Estados Unidos. É a nona edição desse evento, que é a versão nerd do SXSW, já supertradicional na cidade. Entre palestras, workshops e uma feira, o SXSW EDU traz temas importantes da área de educação no cenário do Estados Unidos: formação, currículo, inclusão, diversidade e afins.

Fui pelo quarto ano seguido e ainda fico com o frio na barriga da primeira vez. É legal rever as pessoas que vão com frequência – quase uma colônia de férias – e, claro, conhecer pessoas e projetos novos.

Para nós brasileiros, estar no SXSW EDU é uma oportunidade de entender como as realidades da educação pública nos Estados Unidos e no Brasil são, ao mesmo tempo, parecidas e diferentes. Entre as similaridades, existe a questão do orçamento escolar, as políticas de avaliação entre alunos e professores, as já faladas diversidade e inclusão. Entre as diferenças, vemos principalmente o ensino e adoção de tecnologias em sala de aula, que está um pouco mais avançada por lá.

Nesse ano, um dos principais pontos discutidos no evento foi a necessidade da reconstrução das conexões emocionais e sociais, seja na escola ou em nossos círculos sociais. O tema ficou claro logo no primeiro keynote do festival, uma entrevista com o escritor David Brooks, a assistente social Lisa Fitzpatrick e Darius Baxter, chefe de engajamento da Good Partners. Com o tema “Construindo o tecido social dos Estados Unidos”, os três compartilharam suas experiências e iniciativas sobre reconstruir essas pontes e fazer com que as pessoas se conectem novamente.

Para isso, são necessárias algumas iniciativas. Sabemos que a polarização e o isolamento social são problemas globais. No entanto, é preciso começar com uma conversa local. Um caminho para isso é achar valores em comum com as pessoas que pensam diferente da gente. Como disse Brooks, “posso não gostar de uma pessoa, mas se eu me desconectar dela, perco uma narrativa”.

Um outro ponto importante é a garantia de direitos e acolhimento social, por exemplo, para alunos e alunas imigrantes, alguns em situação irregular. Esse não é um grande problema no Brasil, mas o painel “Educação, não deportação” trouxe informações importantes sobre o direito desses estudantes com pontos importantes e fundamentais: atenção com o bullying, abraçar a diversidade e mostrar que eles não estão sozinhos.

Finalmente, a reconstrução desse tecido também passa pelas práticas escolares. Vimos essa discussão em dois painéis: um promovido pelas meninas do Instituto Península e outra por uma equipe da South Bronx Community Charter High School. Esse painel, em especial, mostra como o envolvimento da comunidade e a diversidade são pontos chave para uma aprendizagem de sucesso. O South Bronx fica em Nova Iorque e é o distrito mais pobre dos Estados Unidos. Em média, um professor lecionava apenas um ano na escola e saía.

Para mudar esse cenário, foi necessária uma pequena revolução. Hoje, mais de 85% da equipe escolar é composta por não brancos e um terço delas mora no bairro. Junta-se a isso, um trabalho de mentoria dos alunos e de desenvolvimento profissional dos professores para um caso de sucesso.

Aquele ditado africano nunca esteve mais presente: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.”. Essa aldeia precisa estar conectada e sempre em construção.

Até a próxima!

Felipe Menhem

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