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Acordos Familiares: Criando regras para uso do celular

Por: Delaney Ruston, produtora do filme “Screenagers”

Quando comecei a fazer o “Screenagers”, eu originalmente pensei em intitulá-lo de “Fora de Controle”, pois era isso que eu estava sentindo sendo mãe de dois filhos que queriam mais e mais tempo em seus celulares e computadores. Desde então eu tenho aprendido que muitos pais também se sentem da mesma maneira.

A boa notícia é que criar um acordo familiar realmente ajuda. O simples ato de criar um acordo juntos é um passo enorme. Fazer tratos requer calma nas conversas familiares para a definição de termos, elaborar objetivos e determinar quais serão os limites de uso. Para ajudar a facilitar o processo eu quero compartilhar a minha experiência e a de outras pessoas.

Se você preferir pode começar com acordos mais simples de somente uma ou duas regras delineadas com incentivos. Lembre-se de incluir os seus filhos nesse processo. Também considere compartilhar algo que você, como pai ou mãe, está tentando mudar em você  – como ser distraído pelo celular durante o jantar, por exemplo. Quanto menos isso for sobre você contra eles melhor. Eu fico me relembrando que estamos todos nisso juntos.

Exemplo e ideias de Acordo Familiar de Uso das Telas

Definindo os princípios gerais da família

Comece com uma simples questão como – quais são as principais razões que nos fazem querer um equilíbrio entre o tempo na frente das telas e outras atividades?

Pais: Pense sobre o seu “Por quê” – Por que você se importa com o tempo que as crianças passam na frente das telas? O meu, por exemplo, é que eu quero que minhas crianças tenham tempo para viver diferentes situações offline para que possam ser mais eficazes nestas três principais áreas: criatividade, comunicação e competência.

Eu quero que eles tenham muitas experiências diversas para que possam:

  1. Criar diferentes coisas (como arte e suas próprias opiniões).
  2. Se comunicar (construir uma habilidade de comunicação frente a frente que possam usar mesmo quando se sentirem vulneráveis, como falar com a professora sobre seus problemas escolares).
  3. Tentar novas atividades que trabalhem a resiliência, auto-estima e o senso de “consigo fazer” – todas estas coisas relacionadas à competência.

Crianças: Pergunte às crianças sobre como eles acham que o tempo nas telas se encaixa em suas vidas. Quais são os seus objetivos pessoais em torno de coisas como famílias, amigos e hobbies? No começo eles tendem a dar de ombros, mas vai começar uma boa conversa.

Ideias para outros tópicos: Segurança na internet, privacidade, gestão de tempo, plágio, postagens adequadas, Bullying online e gentileza.

Definindo as regras familiares

É aqui que começamos a transformar os seus princípios em suas “limitações”, “acordos”, “regras”, ou seja lá como você quiser enunciá-los. O foco principal é em determinar o tempo de uso que deve ser eliminado.

Alguns exemplos:

  • Durante as refeições: Celulares são permitidos à mesa? Café da manhã? Jantar?
  • Desligar-se durante a noite: Quanto tempo antes da hora de dormir as telas/celulares devem ser desligados?
  • Quarto: Telas no quarto? Se sim, o tempo todo? Celulares são permitidos nos quartos?
  • Carros: Os passageiros podem ficar no celular?

Estabelecendo Incentivos e Consequências

Uma das coisas mais difíceis sobre educar os filhos é impor regras. Os dois principais objetivos são ter um número máximo para as regras e que as crianças ajudem a criá-las e alinhá-las de acordo com seu nível de maturidade. Para que as regras sejam efetivas, precisam haver incentivos e consequências. Pesquisas mostram que nossos comportamentos são mais aptos a serem mudados com incentivos positivos do que com punições. Isso é ainda mais verdadeiro com crianças.

Quando houverem incentivos, dê esta informação às crianças. Por exemplo, se sua filha lhe dá o celular às nove da noite sem que você peça, então faça uma sobremesa que ela adora, ou uma noite especial de filme.

Todos sabemos que consequências negativas são muito mais fáceis de se criar, como tomar o celular. Mas a chave é não exagerar na punição. Por exemplo, uma das regras de Tessa é que não podem haver telas no quarto dela, incluindo seu celular.

Quando eu estava filmando “Screenagers” percebi que muitos jovens desaparecem em seus quartos com o celular. Agora Tessa está acostumada a ter um quarto livre de celular e diz que isso a motiva a fazer outras coisas como escrever em seu diário. De vez em quando ela entra no quarto com o aparelho escondido mas, ao invés de ficar brava, eu falo com ela e simplesmente peço para sair do quarto com ele. Porém, se isto volta a acontecer eu tomo o celular e não devolvo até o amanhecer.

Seja Maleável

Todos sabemos que a vida real requer que sejamos maleáveis, compreensivos. Pensar nas vezes que alguém precisará usar telas apesar das regras, e como lidar com estas situações, também é importante. Isso é parte da etiqueta tecnológica.

Por exemplo, em nossa família não é permitido usar celulares no carro, mas há vezes em que algo importante surge e alguém tem que dar uma rápida checada. As crianças sabem que eu gosto quando me dizem porque estão quebrando as regras, então eles dizem “Estou falando com o Ben que estamos atrasados para buscar ele”. Eu também sigo a mesma etiqueta, se o meu filho Chase está dirigindo e eu tenho que fazer algo importante no celular eu digo a ele.

Eu e toda a equipe do Screenagers adoraríamos ouvir de você! Nos envie um e-mail através do info@screenagersmovie.com .

Nós conseguimos fazer isso – nós podemos ajudar nossas crianças a encontrar mais equilíbrio.

 

Forte abraço!

Delaney Ruston

 

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