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Como reduzir riscos de contaminação nas escolas: OMS e pediatras orientam

O fechamento das escolas devido à pandemia de Covid-19 afetou o ensino, aprendizagem e bem-estar dos alunos em todo o mundo. Neste cenário, pais, professores e estudantes tiveram que se adaptar a nova realidade do distanciamento social e enfrentar as dificuldades da educação não presencial.

Devido a curva pandêmica mantida em altos níveis desde o início da pandemia, as escolas permaneceram fechadas por quase um ano. No entanto, um número cada vez maior de países tem iniciado o processo de flexibilização para o retorno da educação presencial – incluindo o Brasil. Para que esse processo seja o mais tranquilo possível, a OMS (Organização Mundial da Saúde listou condições necessárias para a retomada das atividades escolares, que incluem:

  1. Transmissão da doença sob controle.
  2. Detecção, testagem e isolamento eficazes pelos sistemas de saúde.
  3. Medidas preventivas em escolas e ambientes de trabalho.
  4. Gerenciamento eficiente caso haja importação de novos casos.
  5. Comunidades engajadas e informadas sobre como viver em uma nova “normalidade”.
  6. Risco de transmissão em locais vulneráveis estão controlados.

Mesmo não apresentando indícios positivos para todos os critérios listados acima, governos e municípios brasileiros iniciaram o processo de abertura das escolas motivados por movimentos de pais e pediatras que alertam para os prejuízos ao neurodesenvolvimento implicados pela falta de interação e estímulo encontrados no ambiente escolar. Ainda em agosto de 2020, a Sociedade de Pediatria de São Paulo já apresentava argumentos para que a educação estivesse entre os serviços essenciais:

Ainda que a escola não seja o único espaço de cuidado e aprendizagem, nela estão os processos sistematizados que pretendem impulsionar a aquisição de conhecimentos, promovem a oportunidade de encontros com os pares […], a socialização, o exercício de convívio no coletivo, que complementam e são consequência da frequência à escola.

Em contraponto, sindicatos e educadores indicaram um alto índice de possível contaminação, bem como a ausência de condições para a manutenção da limpeza e distanciamento social em escolas de todo o Brasil. A articulação tem sido feita em audiências públicas e alguns sindicatos chegaram a decretar greve, no entanto, a decisão foi tomada e o retorno já está ocorrendo gradualmente.

Por isso, analisamos documentos nacionais e internacionais para compreender quais são as medidas que podem ser tomadas à fim de reduzir os riscos de contaminação nas escolas. Confira a seguir!

Protocolos a serem praticados pelas escolas

  • Desinfecção de escolas: antes e durante a permanência dos alunos, incluindo superfícies e equipamentos.
  • Uso de máscaras: obrigar o uso por todos os membros da comunidade o tempo todo, podendo ser produzidas em pano ou material hospitalar – lembrando que o Face Shield é ineficaz em tempo de exposição moderado a longo.
  • Aferição de temperatura: os estudantes devem passar por checagem sistemática da temperatura corporal;
  • Horários intercalados: tanto para entrada, saída, intervalos entre aulas e períodos de alimentação visando reduzir aglomeração.
  • Redução do número de alunos: garantir o distanciamento seguro entre as carteiras e reduzir o fluxo de pessoas diariamente, garantindo o ensino híbrido com aulas presenciais e online.
  • Ventilação e desinfecção: arejar as salas, mantendo as janelas abertas, bem como oferecer álcool em gel em todo o prédio.

Orientações para os professores

  • Isolamento espontâneo: esteja atento a possíveis sintomas e se isole caso perceba algum deles;
  • Conscientize os alunos: acolha e converse diariamente sobre os cuidados a serem praticados, bem como as novas regras do ambiente escolar, para que as crianças e adolescentes estejam contextualizados sobre os riscos.
  • Crie novas rotinas em sala: planeje o tempo e organize o espaço pedagógico visando o distanciamento e a higienização, restrinja o uso instalações e equipamentos coletivos e controle o fluxo em sala de aula para que todos estejam seguros.
  • Seja flexível e empático: nem todos os alunos retornarão para a sala de aula, por isso, adote um modelo híbrido entre online e presencial, adapte horários para atender alunos do grupo de risco e garanta um planejamento pedagógico que preveja possíveis fechamentos.

Orientação aos pais

  • Higienização das mãos: ensine a lavagem correta das mãos e acostume a criança ao uso de álcool em gel, para que ela seja capaz de utilizar constantemente.
  • Consumo de água e alimentos: individualize garrafas ou copos e oriente para que alimentos não sejam compartilhados.
  • Uso de máscaras: ofereça máscaras com duas camadas de proteção e que fiquem bem ajustadas ao rosto, cobrindo do nariz até o queixo. Elas devem ser trocadas a cada três horas, então envie mais unidades dentro da mochila.
  • Atente-se aos sintomas: isole as crianças e adolescentes caso qualquer pessoa na casa tenha qualquer sintoma e informe a escola para que outras famílias sejam informadas.
  • Seja exemplo: respeite a etiqueta respiratória, incentivando seus filhos a fazerem o mesmo, e evite aglomerações, festas e reuniões familiares.

Maria Gabriela Zanotti

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