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Os desafios da inovação em sala de aula

Ao longo de 4 dias de SXSW Edu 2018 participamos de muitas sessões nas trilhas de implementação e instrução onde educadores compartilharam as suas experiências de inovação em sala de aula. Dentre os termos mais falados nestas sessões, chamou atenção a aplicação do termo “Blended learning”.

inovação em sala de aula

Blended Learning:

Blended learning não é um termo novo e é conhecido há quase duas décadas como a experiência de aprendizagem que combina ensino presencial e a distância (EaD). Hoje, esse conceito é aplicado em um sentido mais amplo, de misturar estratégias tradicionais com um uso intencional de tecnologia e novas ferramentas. Desta forma, os educadores são capazes de atender às necessidades individuais de cada aluno e personalizar a experiência de aprendizagem. Por meio de blended learning, project-based learning e competency-based learning, estudantes são encorajados a aplicar conhecimento e compreensão conceitual a problemas do mundo real. A sala de aula não deve mais ser confinada por um espaço específico e pode assumir forma em qualquer lugar, a qualquer momento.

inovação em sala de aula

Essa foi a inquietação de quatro professores da Elon University que, entediados com os seus programas, resolveram criar um currículo mais mão na massa que pudesse solucionar problemas reais da comunidade. Como individualmente não conseguiam atingir esse objetivo, decidiram se unir e aprovaram um curso piloto de 16 créditos chamado Design Thinking Studio for Social Innovation que teve inicialmente 14 alunos inscritos e valia por um semestre inteiro.

Dentre os principais desafios e ganhos de se libertar de uma estrutura rígida da academia, eles enfrentaram a resistência dos alunos – que tiveram de mudar de uma postura passiva para uma postura ativa –,  o desafio e aprendizado de co-facilitar um curso entre 4 professores, a revolta e paralisação dos alunos por não terem respostas prontas e o desafio dos professores de solucionarem muitos dos problemas à medida que iam surgindo. Aprendidas essas lições, eles estão em sua segunda turma e podemos acompanhar os projetos e o dia a dia das atividades dos alunos pelo blog do curso.

Por onde começar a inovar?

Se você é educador e não sabe por onde começar a inovação em sala de aula, precisa conhecer a Ela Ben-Ur que trabalhou por 13 anos na IDEO e colocou a sua experiência em design thinking a serviço da educação para criar uma ferramenta gratuita chamada Innovators’ Compass. A ferramenta é simples e pode ser aplicada em outros formatos como banners, tapetes, dados gigantes, roletas e placas para atender diversos públicos. Por meio dela, educadores e alunos estão explorando novos temas e colocando em prática projetos em sala de aula, como o professor de literatura que utilizou a ferramenta para explorar o problema e propor soluções para os personagens do filme “O sol é para todos” de Harper Lee.

Inovações como essa podem mudar a prática de educadores, que precisam se esforçar cada vez mais para engajar os alunos e promover uma experiência de ensino e aprendizagem efetiva e personalizada. Para inovar e mudar a sua prática em sala de aula, o professor enfrenta alguns desafios internos e externos, como: o medo de errar e ferir a sua reputação com os seus alunos e colegas de trabalho; a carência de recursos como tempo, dinheiro e acesso à informação; o sentimento de isolamento, e a resistência que pode vir da escola e até mesmo dos alunos. Para apoiar os educadores nesse processo, a ONG The Learning Accelerator disponibiliza um amplo cardápio de práticas de ensino e aprendizagem com foco em uso de tecnologia, personalização, monitoramento de dados e mastery-based learning.  

Ter acesso a boas práticas de ensino e aprendizagem que deram certo em outras escolas e com outros professores pode inspirar a inovação dentro e fora da sala de aula. Pensando nisso, a HundrED, uma ONG finlandesa, iniciou um mapeamento anual das 100 melhores práticas educacionais na Finlândia e no mundo que atendam aos critérios de inovação, impacto e potencial de escalabilidade.

inovaçãoA seleção de 2018 conta com inovações relacionadas a espaços de aprendizagem, desenvolvimento e treinamento de professores e modelos de avaliação de aprendizagem. O que não faltam são bons exemplos.

Aline Werner

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