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Mundo de excessos e as distopias da vida real

vimos algumas distopias de livros e filmes que se aproximam (e muito!) da realidade. Os excessos presentes na atualidade, nos faz acreditar que vivemos em uma distopia em que os sonhos e esperanças morreram. Será?

Conversamos com o professor José Luís Landeira, doutor em Educação (USP) e pós-doutor em Letras (Universidade de Coimbra). Segundo ele, as pessoas continuam querendo um mundo melhor, mas questiona qual seria a simbologia presente – já que muitas características se perdem em um ambiente de excessos – o qual vivemos hoje.

“Nessa briga de dar conta desse excesso, o olhar é mais superficial e perdemos a tridimensionalidade e reforçamos o nosso papel como telespectador do processo e não como ator e, nesse caso, as soluções desejadas são sempre muito simples, como quando assistimos a um filme. Perdemos a raiz com o passado e com o tempo futuro, ficando com um excesso do agora” diz o professor José Luís Landeira.

Reunimos alguns exemplos de como esses excessos impactam a nossa vida em sociedade. Dá só uma olhada!

Considerando a falta de boa vontade dos homens para investir no consumo consciente, um cenário de escassez será iminente e a guerra por territórios pode fazer parte desse trágico destino. Atualmente, 9 países têm um arsenal de quase 15 mil armas nucleares.

Esse tipo de armamento é considerado de destruição em massa e seu uso traz perigos em larga escala e conflitos nessas dimensões podem colocar em risco toda a humanidade. Essa é a premissa de diversas ficções distópicas e pós-apocalípticas como o game “Fallout”.

“Depois da Segunda Guerra Mundial, os países pensaram uma série de mecanismos para evitar novos conflitos em grande escala: a ONU, a OTAN e a União Europeia são parte desse esforço. Entretanto, o Governo Trump tem se esforçado para desconstruir essa ordem que o próprio EUA ajudou a criar, o que sem dúvidas gera muita incerteza sobre o futuro (e sobre o que poderia vir com ele)”, lembra o sociólogo Paulo Moraes.

Marte ataca

Há 47 anos no Brasil, ouvintes sintonizaram a rádio Difusora, de São Luís, no Maranhão, e se depararam com uma locução apocalíptica. O que se ouvia era, sem dúvidas, o fim do mundo. Extraterrestres haviam tomado conta da Terra e, ao que tudo indicava, restava pouco tempo… Exército nas ruas e comércio fechando as portas. O pânico se instaurou na cidade.

No entanto, tudo não passava de uma adaptação radiofônica do romance distópico “A guerra dos mundos”, do mestre H. G. Wells. Ufa! Ainda, bem, né? Mas os militares não gostaram nada disso e mandaram lacrar a rádio, que ficou fechada três dias. Nos Estados Unidos, a mesma “pegadinha” foi feita 33 anos antes, pelo cineasta premiado Orson Welles, e assustou muita gente. (Você pode ouvir a transmissão feita naquele dia clicando aqui!)

Choque das Raças

Uma das primeiras distopias brasileiras foi o romance “O presidente negro”, de Monteiro Lobato, publicado em 1926. Apesar de muitos lembrarem desse livro (que levava como título alternativo “O Choque das Raças”) por ter “previsto” a eleição do presidente Obama ou a criação do celular; o foco de “O presidente negro” seria o conflito entre negros e brancos, nos EUA de 2228, em que o eugenismo fora escolhido como política pública e “cidadãos indesejáveis” eram esterilizados pelo governo.

Com a eleição do candidato negro Jim Roy, os brancos se unem e propõe uma “solução final” para os afrodescendentes: vendem um tratamento que dizem alisar os cabelos de forma definitiva, mas na verdade os esteriliza. O livro de Monteiro Lobato, que foi defensor de ideias eugenistas e racistas, foi acusado de ser preconceituoso e teve sua publicação negada por 5 editores americanos.

O extermínio de negros também é tema do filme americano “Corra!”, lançado em 2017, e vencedor do Oscar de melhor roteiro original. Infelizmente, no Brasil, essa distopia acontece diariamente. Aqui são assassinados 2,6 vezes mais negros do que brancos por armas de fogo, de acordo com o estudo Mapa da Violência 2016 | Homicídio por armas de fogo no Brasil. O número de negros mortos por policiais também é três vezes maior em comparação com a quantidade de brancos. O que remete a outra obra de ficção-científica, o conto O.M.N.I (Objeto Matador Não Identificado), do escritor Ferréz, publicado na revista Superinteressante.

Esse não é exatamente um cenário pós-apocalíptico, mas é algo tão surreal e “Black Mirror”, que não poderíamos deixar de contar pra vocês. Sim, essa ideia completamente maluca existiu e foi engendrada por um dentista norte-americano que sugeriu ao governo do seu país que usasse uma bomba cheia de morcegos que carregariam bombas menores.

A proposta foi aprovada após alguns testes comprovarem sua eficiência destruidora. Só não foi usada de fato, pois, na época, o governo optou por destinar os recursos à produção das bombas atômicas. Sorte dos bichinhos e azar o nosso, não?

Giacomo Vicenzo & Fred Di Giacomo

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