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Mudar é preciso: o momento exige uma mudança nos hábitos

Mudar é preciso: o momento exige uma mudança nos hábitos

Qual a maior riqueza de um povo? Sem dúvida, muitos ligam diretamente com a questão do patrimônio material, como o dinheiro, ouro e outros materiais de alto valor de revenda. Mas, pare um pouco e pense: uma sociedade se resume às riquezas materiais que ela possui? Existe uma complexidade muito maior do que se possa imaginar. 

A cultura, por exemplo, é um patrimônio social de bem inestimável. Através dela é possível que ocorra a perpetuação de relações, conhecimentos e vivências de uma geração para outra. A preservação do patrimônio cultural de um povo permite que as lições aprendidas no passado sejam uma valiosa fonte de compreensão do presente e de projeção do futuro. 

Assim, considerando os aprendizados que se perpetuam dentro de uma sociedade, podemos mencionar a existência dos hábitos. Esses atos podem ser entendidos como práticas sociais comuns, como explica a psicóloga Sarah Teixeira.

“Os hábitos são comportamentos aprendidos ao longo da vida. Durante toda a nossa formação, que é um processo que não tem fim, pois o ser humano está sempre em desenvolvimento, as pessoas vão aprendendo comportamentos e distinguindo o que funciona do que não funciona para elas, gerando a partir desse processo os seus hábitos. Geralmente, esse desenvolvimento acontece primeiro na família, onde os familiares ensinam determinados comportamentos, como o hábito de sentar a mesa para comer, por exemplo.” afirma ela.

Diante dessa explicação, um comportamento comum e instaurado em diversas instâncias da sociedade brasileira é o hábito do toque como um modo de expressão corporal. Seja para um cumprimento ou até mesmo como uma forma comunicacional, ele está presente. 

“Podemos considerar esse aspecto um hábito do brasileiro. Desde criança somos ensinados a cumprimentar as outras pessoas por meio de algum toque, seja um aperto de mão, beijo ou abraço, por exemplo. Isso fica mais evidente quando ocorre algum tipo de interação direta entre duas pessoas de forma presencial, onde um cumprimento a distância é menos usual. Assim, o toque se apresenta como um comportamento aceito e reforçado em diversas situações no nosso país.” diz Sarah. 

Tocar, tocar, tocar…

Mudar é preciso: o momento exige uma mudança nos hábitos

Uma pesquisa realizada com estudantes de medicina na Austrália em 2015, ainda longe da pandemia da Covid-19 que assola a saúde mundial atualmente, revelou um dado curioso que também pode ser considerado para a sociedade brasileira. Durante o período observado pela pesquisa, os alunos tocaram os seus rostos, ao menos, 23 vezes por hora. Espantoso não é mesmo?

Desses toques, 44% ocorreram diretamente em membranas mucosas do rosto. Esses locais são portas de entrada para bactérias, vírus e outros agentes infecciosos no corpo. Os pesquisadores ainda revelaram que desse total de toques, 36% foram na boca, 31% envolveram o nariz, 27% os olhos e 6% outras membranas. Preocupante, mas existe uma justificativa. Esses dados podem ser explicados, em parte, pelo processo de evolução humana.  

Enquanto diversas espécies tocam o rosto com o intuito de espantar pragas ou até mesmo de manter a boa aparência para a questão da reprodução, por exemplo, o ser humano realiza esse processo por outros fatores. Mecanismo de tranquilização, forma de flerte, controle das emoções e da atenção são algumas dessas razões. Com isso, sem os devidos cuidados, os seres humanos correm risco de se contaminar com uma doença infecciosa, como a Covid-19.   

Dessa forma, é preciso se cuidar.

Mudanças de paradigma

A pandemia da Covid-19 poderá causar mudanças na forma das pessoas se relacionarem com as outras. E, como em qualquer alteração de um comportamento, será preciso se adaptar a uma nova realidade. Assim, é preciso buscar compreender e interiorizar novos hábitos. O psicólogo Renan Souza explica como agir nesse processo. 

“Recomendo que as pessoas pensem o porque é necessária essa mudança de hábitos. Parece muito difícil cumprimentar as pessoas pelas quais nutrimos sentimentos sem abraços e beijos. No entanto, estamos todos na mesma tempestade e se faz necessário até por autocuidado e cuidado com quem gostamos. Manter o distanciamento também é um sinal de respeito ao próximo.” afirma ele.

Além disso, também é preciso seguir as recomendações da OMS, Organização Mundial da Saúde, e órgãos de saúde nacional, reforçando os hábitos de higiene.  

*Colaborou com a matéria: 

Renan Gustavo Souza

CRP/SP: 06/129505

Psicólogo Clínico

Sarah F. A. Teixeira

CRP/SP 06/132287

Psicóloga Clínica

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