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Mindset: como hackear sua mente

Adotar uma mentalidade que abraça o método de “tentativa e erro” como caminho para o sucesso é o que prega a psicóloga Carol S. Dweck

Saber lidar com o fracasso e com difíceis obstáculos é uma das principais bases da pesquisa da psicóloga, professora da Universidade de Stanford e escritora americana Carol S. Dweck, famosa por publicar o livro “Mindset: a nova psicologia do sucesso “. Nele, Carol aborda os códigos mentais, como são construídos e seus resultados práticos ao lidar com adversidades.

Responda com sinceridade: Você já se sentiu um(a) fracassado(a)? Se, sim, saiba que falhar em algo é natural e que até mesmo os gênios já passaram por isso. Albert Einstein é um dos exemplos mais conhecidos: um dos maiores gênios da ciência, ele chegou a ser expulso da escola por reprovar em diversas matérias e só conseguiu falar com fluência aos 12 anos de idade.

J.K. Rowling, a escritora do best-seller Harry Potter, foi recusada por mais de 10 editores, um deles até sugeriu que ela arrumasse um trabalho porque não iria ganhar dinheiro nenhum escrevendo para crianças. Mãe solteira e sobrevivendo com o benefício assistencial do governo britânico, ela tinha tudo para desistir, mas colou a carta de sua primeira recusa na parede da cozinha e a encarou todos os dias. Hoje, sua fortuna é maior do que a da rainha da Inglaterra – e alguns editores devem estar arrependidos.

Para entender, imagine que sua mente é como a configuração de um computador. De acordo com Dweck, ela pode estar programada de duas formas. Veja a seguir.

Mindset fixo

Tipo de configuração mental em que se acredita que as capacidades básicas, como a inteligência, ou algum talento são todos inatos e não há como aprimorá-los mais. Sensação constante de ser testado e inclinado a provar suas capacidades. Intimida-se pelo sucesso alheio. Tem vergonha de se esforçar, pois acredita que isso é apenas para pessoas que não são verdadeiramente talentosas ou tem medo que o esforço seja inútil, uma vez que o resultado desejado não foi ou não tem chance de ser alcançado. Normalmente gera estagnação em uma zona de conforto por evitar situações desafiadoras e faz enxergar o sucesso como ser melhor que o outro e o fracasso como uma dura condenação.

Mindset de crescimento

Nesta, acredita-se que as qualidades, as habilidades e os talentos podem mudar se forem constante e intensamente treinados. O crescimento é valorizado, no entanto, o processo é essencial. A falha não é condenada, tampouco recompensada, mas analisada e processada como um aprendizado para alcançar os objetivos. Diferentemente da configuração fixa, neste tipo o sucesso só é alcançado e aperfeiçoado com o trabalho. Um talento inato ou vocação não é mais importante que o esforço desprendido nos acertos e erros que levam à superação de limites.

“No dia a dia é importante identificar quando se está usando o mindset fixo e o mindset de crescimento. Quando se adota um ou outro mindset, têm-se diferentes posicionamentos com relação à vida: a escolha é de cada um”, explica Nair Dias Gomes, psicóloga especializada em Psicologia Organizacional e coach da Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial (ABRACEM).

Gomes ainda lembra que a adoção de um mindset de crescimento é importante em diferentes contextos – como na educação, no trabalho, nos esportes, no cuidado com a saúde e nas relações interpessoais. Mas como saber se você está estagnado em uma mentalidade fixa?

Se você sente que está evitando desafios, sente-se extremamente desconfortável por críticas e desistiu de seus objetivos – desde os pequenos (como ir à academia ou ler todos os dias) até os grandes – por acreditar que eles sejam inalcançáveis, é provável que esteja em um mindset fixo.

No mundo empresarial, a autora S. Dweck descreveu o mindset fixo como a “doença do CEO”. A característica de um líder funcionando nesse modo de pensar é sempre culpabilizar seus colaboradores pelo erros, não acreditar em suas capacidades e ser extremamente crítico.

O poder da derrota

“Eu errei mais de 9 mil arremessos, perdi quase 300 jogos. Por 26 vezes me foi confiado o arremesso final que nos faria ganhar o jogo… e eu errei”. Essa é fala de um jogador de basquete. Ao que sugerem os números de falhas, ele não conseguiu muito sucesso em sua carreira, não? Muito pelo contrário! O jogador é Michael Jordan, considerado o melhor de todos os tempos. Ele já jogou uma final da NBA com 40 graus de febre e marcou 38 pontos. Confira o comercial icônico da Nike em que o jogador fala sobre suas falhas:


Admitindo os erros

Na Copa do Mundo de 2018, perdemos, mas Walter Casagrande, comentarista da Globo, voltou para casa vencedor. Ele era viciado em cocaína e, em 2007, foi internado em uma clínica de reabilitação, após se recuperar de um acidente de carro que quase o matou. Casão estava sob o efeito da droga. Desde então, ele luta para não recair no vício. Neste ano, na final da Copa, ele revelou que era a primeira vez que participava do evento inteiramente sóbrio. Confira o vídeo emocionante:


‘Você não percebeu que você é o único representante do seu sonho na face da Terra?’

A frase é de Leandro Roque de Oliveira, hoje conhecido como Emicida. Ela é parte da letra de uma de suas músicas mais inspiradoras “Levanta e anda”. Nos comentários do vídeo, é possível encontrar diversas pessoas usando a produção do artista como gatilho de inspiração para vencer diferentes tipos de desafios. Como perder 25 quilos de sobrepeso ou custear a faculdade ganhando um salário mínimo.

Emicida também já admitiu ter mordido um cachorro por ele ter roubado o último pedaço de pão da sua casa. Isso era a única coisa que ele tinha para comer, na época em que sua família passava por extrema necessidade financeira na zona norte de São Paulo. Hoje, o rapper também virou empresário e está à frente da empresa Laboratório Fantasma. Em uma das últimas divulgações sobre os números da empresa, seu negócio vendia 80 mil reais por mês em produtos. Confira o clipe da música ‘Levanta e anda’:

Giacomo Vicenzo & Fred Di Giacomo

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