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Metodologias inovadoras de ensino

Metodologias inovadoras de ensino

Muito se discute na atualidade quais seriam as necessidades dos alunos perante a uma nova dinâmica social mais conectada. Diante desse cenário, também surgem as dúvidas sobre quais as habilidades que precisarão desenvolver a partir disso. Com uma saída para tentar solucionar essas questões, muitas escolas têm apostado na utilização das chamadas “metodologias inovadoras de ensino”. Elas podem ser consideradas vias paralelas que dinamizam processos pedagógicos e até mesmo práticas de docência. 

Tais ferramentas para aprendizagem prometem unir criatividade, conhecimento e tecnologia. Assim, pretende-se captar a atenção dos estudantes e incentivar a interação dentro de sala de aula. Mas, como utilizar os recursos dessas metodologias inovadoras de ensino de fato? 

Conversamos com especialistas em educação, pais e psicólogos para entender melhor como funciona a inserção destas práticas no mundo real das escolas brasileiras. Com isso, o 4Lab elegeu as técnicas inovadoras mais citadas por eles – ou mais aplicadas nas escolas brasileiras, na atualidade. 

Dessa forma, está na hora de conhecer estas novas estratégias de ensino-aprendizagem.

Design Thinking

Resolução de problemas por meio do pensamento visual (visual thinking). Faz uso de elementos visuais para literalmente desenhar as ideias trabalhadas por meio de fluxos, organogramas, símbolos, cores, títulos, entre outros. Une aspectos sociais, como visão de mundo e cultura, tentando obter uma solução para os problemas enfrentados – a partir da compreensão das necessidades de forma mais humanizada e sob o ponto de vista de quem é impactado pela resolução proposta. 

Assim, pode ser utilizada em qualquer área científica e usa a empatia como base da atividade. Além disso, não exige, necessariamente, ferramentas tecnológicas para aplicação, estimulando também o trabalho em equipe, a colaboração e a coletividade.

Realidade virtual ou aumentada

O mundo exterior é transportado para dentro da sala de aula, com o apoio da tecnologia. A solução pode levar os estudantes a conhecerem outras localidades geográficas e até mesmo viajarem no tempo, por exemplo. Tudo isso sem necessariamente sair de suas cadeiras. A ideia é dinamizar o conteúdo aplicado, promover a interatividade e fazer com que os estudantes sintam-se mais inseridos no contexto abordado pela aula temática.

Service Learning

O chamado “Aprendizado por meio do Serviço Comunitário” incentiva os alunos a aplicar o conhecimento adquirido em projetos que atendam às necessidades de uma determinada comunidade. Dessa forma, o trabalho se dá por meio da investigação de um assunto de interesse. Por consequência, esse processo gera dúvidas e ainda mais curiosidade sobre o tema. Além disso, esse trabalho revela uma necessidade autêntica para um determinado grupo. 

Uma causa é escolhida, formam-se equipes e todas as partes interessadas são mobilizadas em prol da reflexão e do aprimoramento do projeto e suas etapas. Desse modo, colaboração mútua e empatia também são trabalhadas durante a atividade.

Gameficação

Todo o conteúdo obrigatório pode se transformar em… jogo! É a forma lúdica e nada convencional que algumas escolas já adotam para estimular os alunos a apreenderem conhecimento de forma leve e, ao mesmo tempo, desafiadora. Já existem plataformas especializadas neste serviço – que, claro, requer um tanto mais de recursos para sua personalização.

Flipped Learning

O centro da aprendizagem em sala de aula deixa de ser o professor e seu formato tradicional de lecionar. Então, o aluno torna-se o protagonista, tendo seu mestre como um intermediador de suas dúvidas. Aqui, os alunos têm acesso ao conteúdo em casa e na sala de aula apenas fazem atividades e participam de debates e outras tarefas, sob supervisão dos professores. 

Soluções virtuais de pesquisa e jogos fazem parte desta técnica. Dessa maneira, incentiva a participação, a criatividade, a colaboração, o trabalho mão na massa e a exploração livre. Utiliza ferramentas como storytelling, design thinking e maker.

Soluções criativas

Quando não há recursos, o jeito é trabalhar todas as possibilidades de criação e interação com as crianças. Assim, nas escolas públicas, inovação e inclusão ainda são trabalhadas em forma de maquetes, jogos, gincanas e até o uso de sucata para a construção de objetos que aproximam os estudantes das vivências do conteúdo aplicado. 

Trabalhar temas da atualidade em forma de debates em sala de aula e grupos de WhatsApp com os alunos, para compartilhamento de assuntos de interesse, também podem funcionar. 

O que pensam os especialistas

Fernanda Magliocco*

“Os conceitos, em geral, são muito bons. Em sua maioria, é como se o professor instigasse algo mais extenso ou técnico do conteúdo da disciplina antes, para que o aluno trabalhe isso em casa, com autonomia, no tempo dele. E na sala de aula, em grupo, todos colocam a mão na massa, desenvolvem seus estudos, soluções e experimentos juntos. 

É uma experiência voltada no tempo e na autonomia de cada um e que, depois, é desenvolvida em grupo, assim como o service learning, que também é baseado em projetos e solucionado coletivamente. Com isso, várias disciplinas podem ser adequadas ou encaixadas nesses metodologias inovadoras de ensino, e não só as Ciências Biológicas, como muita gente acredita. 

São técnicas eficazes nessa busca de soluções e funciona para alunos de vários ciclos, uma vez que enriquece o processo de aprendizagem e de construção do conhecimento. E nem sempre você precisa de equipamento ou material para desenvolver tudo isso. 

Na minha visão, o grande problema que as metodologias inovadoras de ensino podem enfrentar é o real acompanhamento da evolução e da autonomia de uma sala com muita gente. Como tratar e trabalhar a autonomia do aluno? Se no presencial, já existe uma dificuldade neste processo, pense então nos alunos do Ensino a Distância?”

*Fernanda Magliocco é consultora de educação digital

Luis Fernando Rodrigues Cesarotti*

“Acredito que não adianta pensarmos em metodologias inovadoras de ensino se os gestores escolares não endossarem as ações do professor. Assim, também é preciso estar em pauta a adoção de ações extracurriculares. Alguns gestores apresentam mais resistência, são mais conservadores. Outros são favoráveis a esse tipo de estratégia, mas a cobrança é sempre muito difusa. Precisa haver uma dinâmica, uma coisa muito diferente, sempre. 

Além disso, muitas escolas, por sua vez, usam as experiências com metodologias inovadoras de ensino não só para melhorar a vivência dos estudantes, mas também como uma forma de vender-se “diferente” para mercantilizar seus serviços e justificar valores. Por vezes, falta também uma orientação mais voltada para o professor, de como conduzir tais técnicas e como acompanhar essa evolução da melhor maneira possível.”

* Luis Fernando Rodrigues Cesarotti é professor de ensino médio e universitário

Realidade nada virtual

“Atividades muito inovadoras não são rotina na escola pública. Para se ter uma ideia, na escola do meu filho, não há portas nos banheiros. Dinheiro mesmo não tem, como é de se esperar, ainda mais na rede estadual. Mas, também foi uma surpresa gratificante, porque a direção/coordenação/corpo docente tiram leite de pedra e oferecem aos alunos alguma qualidade. Eles são extremamente organizados, preocupados com o comportamento das crianças e com o relacionamento com a família, o que também é muito importante. 

A professora de Português, por exemplo, tem muitas ideias bacanas de metodologias inovadoras de ensino. Já elegeu junto a cada sala um tema da atualidade para trabalhar aplicado à matéria. Também montou um grupo de WhatsApp para se relacionar com os alunos, onde vez ou outra manda vídeos descontraídos relacionados. Este ano, ainda montou grupos de estudo.”

*Renata Melo é mãe de P., 13 anos, aluno de uma escola pública em Jacareí – SP. Seu filho foi medalhista da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas, em 2019.

O observador e o observado

“Acredito que a relação entre professor e aluno foi se adaptando às mudanças, com o passar dos anos. Mudanças essas significativas e necessárias, para todos nós. Dessa forma, se o professor souber manejar o conteúdo que deseja, com pesquisas rápidas ou aplicativos voltados para o desenvolvimento dos alunos, entendo como algo positivo dentro das metodologias inovadoras de ensino. 

Somos seres de transformação, que nos relacionamos diariamente. E, se o professor cria um muro entre si e os alunos, por meio da metodologia tradicional e diretiva, o aluno entende esta relação como algo monótono. Isso muda se o professor se permite entrar no mundo de seus alunos, entendendo e se relacionando com os alunos por meio da troca, e não apenas como algo cheio de regras. 

Não se trata de prender a atenção, mas sim, conquistar por meio do respeito e do compartilhamento de experiências. Acima de tudo, o professor não detém a sabedoria absoluta e aprende muito com seus alunos. Também não percebo a tecnologia como um modelo que se esgota: temos é que estimular e orientar o uso, de maneira correta, deixando a criatividade livre. Um ser criativo gosta de seus espaços e o professor pode observar e fazer algumas intervenções, quando necessário. 

Visitei uma escola na qual os alunos foram premiados por desenvolver um aplicativo (um jogo) para auxiliar toda a sala durante os estudos. Estavam todos super engajados e felizes com essa troca entre professor e alunos, entre observador e observado”.

*Jéssica Alves Santos (CRP 06/154632) é psicóloga escolar

Juliana Damasceno

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