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Lições do Vale do Silício para encarar a era da disrupção

No final de novembro de 2019, aconteceu em São Paulo mais uma edição da Silicon Valley Conference. O evento foi promovido pela StarSe, uma plataforma de aprendizado para empreendedores que faz a conexão do Brasil com o Vale do Silício (a meca das startups). Se um dia o termo inteligência artificial foi usado para ficção científica, hoje é corriqueiro, realidade. A partir disso, a palavra da vez é disrupção, pela quebra contínua e permanente de processos, promovida pela transformação digital. Personagens inovadores desse universo palestraram para um público de mais de 3 mil pessoas, num formato dinâmico, no ritmo de quem otimiza o aprendizado. Listamos o que alguns deles deixaram como inspiração!

 

Deixe o talento trabalhar

Felipe Lamounier, da StartSe, falou sobre o que vivencia no Vale do Silício, onde atua. Mencionando cases de startups de sucesso (como Trulia, Lyft e Square) e citando frases de gênios do empreendedorismo, ele enumerou os segredos do sucesso nesse momento de incessantes mudanças. Colocar o propósito e a cultura organizacional acima da estratégia e montar um grande time é o caminho para as empresas, afinal, um negócio pode (e deverá) se transformar, mas terá êxito se realizado em um ecossistema que preza pela inovação e valoriza as pessoas. O que se resume pela frase de Steve Jobs, criador da Apple: “Não faz sentido contratar pessoas inteligentes e dizer a elas o que fazer”.

 

Inteligência artificial: único caminho

Quem insistir no pensamento de que a inteligência artificial é uma invenção demoníaca, devoradora de empregos, certamente será um desocupado no futuro, afirmou Pedro Englert, da StarSe, em sua palestra sobre o conceito de Lifelong Learning (aprendizagem ao longo da vida).

Para acompanhar as mudanças tecnológicas, estudar deve se tornar um hábito. Assim, não se deve pensar somente no ensino regular, em cursos de longa duração e seus diplomas. O conhecimento está por toda parte, a um toque na tela de distância. Além disso, Englert também citou dados que refletem a defasagem do conhecimento tecnológico no Brasil. Apesar dos cerca de 12 milhões de desempregados, há um déficit de 500 mil vagas em áreas estratégicas no meio digital.

 

O resgate da autenticidade

Alguém imaginaria que o inventor do ambiente virtual que revelou o particular jeitinho brasileiro de interagir na internet fizesse uma palestra quase em tom de autocrítica? Pois foi a impressão que Orkut Buyukkokten, o criador do Orkut, deixou no palco da conferência. Ele falou sobre buscar relações pautadas em bondade, originalidade, expressividade, coragem e amor. Esses são os conceitos que defende em sua mais recente criação, a rede social Hello. “Fingimos o tempo todo para agradar aos outros, pois temos medo de que as pessoas percebam que somos diferentes delas. É importante ser autêntico on-line para criar vínculos reais”, comentou.

 

A biotecnologia vai transformar o planeta

Jun Axup, diretora científica da Indie Bio, maior aceleradora de startups de biotecnologia do mundo, apresentou situações disruptivas que estão em curso. Um exemplo é a produção de alimentos em laboratório (carne, inclusive!) a partir da indução de moléculas. Se por um lado a inteligência artificial desafia postos de trabalho, por outro avança para minimizar impactos ambientais.

 

Educação para a Revolução Industrial 4.0

As três transformações anteriores nos sistemas de produção, a partir do final do século 18, tiveram impactos por décadas. Agora, com a internet das coisas (a conexão além dos dispositivos clássicos, como computador e smartphone), o ritmo é acelerado e a demanda por engenheiros de software é gigantesca. Com isso, existe uma startup do Vale do Silício que os forma de maneira menos convencional, a Holberton School.

Seu cofundador, Sylvain Kalache, contou como oferece oportunidades com foco na diversidade e, num primeiro momento, gratuitamente. O segredo: o aluno só começa a pagar quando consegue o primeiro trabalho. Para ele, o professor não pode mais ser o canal entre o aprendiz e o conhecimento, mas um incentivador.

“Temos que empoderar os alunos para acessarem todas as fontes, fazerem as solicitações corretas. Assim, eles devem aprender fazendo, resolvendo problemas”, comentou Kalache. Ele enfatizou também que o aprendizado da Holberton é baseado no desenvolvimento de projetos, para formar eternos aprendizes.

 

Interesse genuíno pelo conhecimento

Formado em Harvard e com recente passagem como gerente de produto do Facebook, Arian Razzaghi foi categórico. “A educação está dentro de nós”. Pela sua experiência em uma das mais conceituadas universidades do mundo, afirmou que a exploração está no cerne do aprendizado, principalmente quando há um interesse genuíno pelo conteúdo.

 

A liderança depende de conhecimento

Com a bagagem de quem passou por Europa, China e Estados Unidos (no Facebook) em pouco mais de uma década, Wesley Barbosa trouxe um rico conteúdo sobre o impacto da neurociência na performance profissional. Atualmente sócio da XP Investimentos, ele ressaltou que a liderança é situacional, só se mantém pelo conhecimento. Em discurso descontraído e envolvente, avisou que o famoso brainstorming não funciona, porque ninguém gosta de ser contrariado em público. Dessa forma, sugeriu o bom e velho post it em uma rotina de pensamento. Por fim, emocionou o público com sua história de superação. Saio de uma favela em Maceió, desmistificando o conceito de meritocracia. “Espero que um dia minha história não surpreenda ninguém e que sair da favela seja uma escolha, não um esforço.”

Fernando Beagá

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