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Inspirado no filme Pantera Negra, conheça 4 impérios mais poderosos da África

O filme Pantera Negra, dirigido por Ryan Coogler, tem levado milhões de pessoas ao cinema, e já ultrapassou 1 bilhão de dólares em bilheteria por todo o mundo, em apenas 26 dias de estreia. Esse é o primeiro longa de um super-herói negro em uma adaptação do universo Marvel. Também o primeiro herói que vem da África criado por uma editora de quadrinhos norte-americana. De acordo com uma publicação de Veja, baseada em dados da ComScore, somente no Brasil, o filme liderou o ranking dos mais vistos pela segunda semana seguida, somando 3,5 milhões de espectadores e 60 milhões de reais.

O poder da “Pantera Negra” pertence ao então príncipe de Wakanda, T’Challa (Chadwick Boseman), que vive em uma metrópole estadunidense. Mas, quando seu pai morre, ele volta para se tornar rei e governar seu tecnologicamente avançado país no meio da África – o único que possui Vibranium, o metal mais resistente do planeta. Seu povo é formado por outras tribos, guerreiros habilidosos, e a maior missão é proteger a fortuna e impedir que o valioso metal caia em mãos erradas.

O que ninguém esperava, é que um tirano primo de T’Challa, criado fora do reinado, teceria estratégias para se apossar do trono, violar as leis e enviar o Vibranium para outras partes do mundo, o que poderia desencadear uma guerra gigante.

Mesmo fictícia, repleta de estrutura tecnológica e ciência que vai além do nosso tempo, a trama é cheia de referências africanas e rica em representatividade dessa cultura que é pouco conhecida. “É uma maneira interessante de tratar a história, casando ficção e realidade, com mensagens sutis entre o passado e o presente. Outro ponto importante é o elenco, composto em sua maioria por negros. Isso demonstra que os negros também lotam as bilheterias. É muito positivo”, considera Sebastião Clementino, o “professor Macalé”, especialista em antropologia social, questões africanas e docente da USC (Universidade do Sagrado Coração).

Segundo ele, por muito tempo, mitos e preconceitos ocultaram o continente que é considerado o berço da humanidade. “Foi lá que se criou o homem moderno, que depois se espalhou pelo globo”, acrescenta.

Fora da ficção, também existiram grandes reinados e impérios com histórias fantásticas naquele continente – que não se resume as do Egito. De acordo com Érica de Campos Visentini, doutora em história social e professora da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), outros grupos da África Subsaariana também apresentaram grande desenvolvimento: Mali, Gana, Songai e Congo estão entre os que se destacam.

O reino de Gana foi considerado o país do ouro, e são muitos os registros das riquezas, pompas e honrarias que ali aconteciam. Caravanas levavam o minério para o norte do continente e de lá para o resto do mundo. Segundo a HypeScience, os cães usavam coleiras com o metal que até hoje é considerado o maior símbolo da riqueza. Eles importavam livros, tecidos e demais mercadorias em troca de ouro. Além disso, o país possuía grandes recursos naturais e líderes estratégicos.

O rei Mansa Mussa (1312 – 1337), do Mali, era bastante rico, adepto do islamismo, e trouxe do Cairo um arquiteto para construir uma grande mesquita. Érica explica que ele foi mecenas das artes e possibilitou o surgimento de uma literatura de expressão árabe de grande relevância. Segundo a historiadora, na cidade de Tombuctu foram criadas cerca de 180 escolas do Corão, nas quais se estudava história, matemática, álgebra, astronomia, direito, lógica, gramática, geografia e filosofia. Para lá foram grandes eruditos e formou-se uma das mais famosas bibliotecas árabes da África.

“Uma curiosidade é que, no reino do Mali, a liderança mandinga inspirava medo pelo seu poder. Daí o termo pejorativo ‘mandinga’ para feitiçaria e serviços obscuros”, explica.

É fruto do contato com árabes e chineses. Lá, o rei controlava a economia, distribuía justiça e recebia honras, uma vez que o poder real era sagrado. “Mas não a o rei enquanto pessoa. Recebia a coroa quem era escolhido por uma assembleia de líderes dos vários clãs”, comenta.

O reinado era um dos mais desenvolvidos em conhecimentos tecnológicos, pois tinham o domínio da metalurgia para confecção de armas, esculturas e peças de adorno. Teciam panos com fibras de ráfia e utilizavam um tipo de moeda em suas atividades comerciais. Possuíam conhecimentos e técnicas de navegação e do cultivo do arroz – informações advindas do contato com árabes e chineses. Eles também praticavam a escravidão por dívidas ou derrotas de guerras, o que muito interessou os portugueses na época das grandes navegações.

Era vizinho de Gana e Mali, e ocupava grande território da África Ocidental. Durou aproximadamente 800 anos e se destacou entre os impérios nos séculos XV e XVI. Seu povo era dedicado ao comércio de longa distância com rotas através do deserto do Saara. As diversas culturas tribais tinham tudo centralizado em um governo, que criou uma nova moeda e colaborou para que se unissem. Por ser grande, era difícil controlar toda a população, e isso rendeu uma guerra civil, fragmentando-se em reinos menores.

Outros fatos

O continente africano é considerado o continente das cataratas e a maioria de seus rios possui poucas extensões navegáveis, ocupadas nesses pontos por diferentes povos. Isso provocou uma situação singular: os rios impediram qualquer movimentação de penetração para o interior, forçando os invasores a se concentrarem nas faixas litorâneas até praticamente o século XIX.

Do contato com outros povos, o primeiro a deixar marcas e mexer com as estruturas existentes de modo a torná-las outras foram as invasões árabes. Juntamente com a religião islâmica fundada por Maomé em meados do século VII, os árabes vislumbraram a possibilidade de expandir sua influência e aumentar suas riquezas. Assim, ocuparam todo o norte e centro da África, não por acaso, pois se tratava de uma grande área já envolvida em negócios e atividades comerciais.

Outro contato marcante se deu a partir do século XV, com os europeus, mais especificamente com os portugueses. Na busca de um caminho marítimo para as Índias, os portugueses partiram pelo mar Atlântico, na época denominado Tenebroso, e foram circundando todo o litoral africano.

Num primeiro momento, o interesse dos portugueses no continente era estabelecer ancoradouros para seus navios mercantes e pontos para abastecimento de mercadorias ali encontradas, que passavam a ser por eles comercializadas.

Posteriormente, o tráfico de escravos propiciou uma ocupação mais incisiva do continente por quase toda a costa litorânea, incentivando as guerras tribais como fornecedora desse “produto” tão importante para a economia entre os séculos XV a XVIII.

 

Giacomo Vicenzo & Fred Di Giacomo

Comentários

  • Eu achei o texto bem interessante, porque mostram, principalmente para nós, estudante, que os grandes impérios não se resumem somente a Europa e Egito, mas também os impérios africanos, por exemplo Gana, Congo, entre outros. Por isso, acredito que o filme Pantera Negra abriu nossos olhos para as civilizações e reinos presentes na África. Assim, o filme Pantera Negra incluiu uma maior participação dos negros em nossa cultura e sociedade.

  • Adorei esse texto! Ele mostra como a imagem criada da África em nossas cabeças (lugar de pobreza, cultura primitiva) está equivocada. Ao olharmos aos problemas presentes na África, esquecemo-nos de ver as maravilhas (naturais, sociais e culturais) que lá podemos encontrar. No filme “Pantera Negra” e no texto, podemos analisar muito bem a riqueza (monetária e cultural) das tribos/nações africanas. É triste ver que, na escola, só aprendemos sobre as desgraças africanas e não vemos nada sobre os incríveis impérios desse continente, como o Mali, Congo, Gana, e Songai. O filme usado como inspiração para esse texto é ótimo e eu recomendo a todos, até para aqueles que não são fans de super-heróis, pois é repleto de superação e “girl-power”.

  • O texto nos mostra o quanto a história da África é rica mas infelizmente muito pouco explorada e estudada.
    Formados por reinos enormes e ricos que vão influenciar as culturas de vários povos e principalmente o nosso.