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Depressão, ansiedade e redes sociais

Quando Karina Hammond, 20, entrou no Instagram, há cerca de 5 anos, a paulistana buscava referências estéticas para seu curso técnico de Comunicação Visual. Porém, na rede social onde exibem-se fotos de centenas de milhões de usuários, as pessoas não expunham somente seu trabalho, mas também seu sucesso e sua felicidade. “Eu via umas pessoas e pensava: caramba, tão pouca idade e, olhá só, que sucesso, que fama, quantas curtidas”. A ostentação de alegria alheia a afetava. “Eu me achava bem inútil.” Ela, que já sentia efeitos da depressão desde os 11 anos, se viu rodeada de fatores que agravaram seu quadro depressivo.

Mas não é só Karina que se sente abalada pela ostentação do sucesso e da felicidade nas redes sociais. Uma pesquisa da Royal Society for Public Health, instituição de saúde pública do Reino Unido, demonstrou que o Instagram é a rede social que mais afeta a autoimagem dos jovens: 7 em cada 10 participantes das pesquisas disseram que o app reduz sua autoestima e 9 em cada 10 meninas afirmaram que a rede piora a maneira como elas vêem seus corpos. “A frustração de não conseguir o ideal de beleza, o ideal de status social, o ideal de posses, o celular novo, o tênis da moda, vai gerando isolamento e pode calhar em uma depressão”, diz Gisela Mattos, psiquiatra e psicodramatista do Hospital Infantil Sabará, referência em tratamento de crianças.

Isso quer dizer que o mundo moderno deixa as pessoas mais ansiosas do que antes? Sylvia van Eick Meira, psicóloga do Programa de Dependências Tecnológicas da Instituto de Psiquiatria da USP, afirma que não há relação direta entre as redes sociais e o surgimento dos transtornos mentais. “Não é o avanço da tecnologia que pode promover o aumento dos transtornos. As pessoas que desenvolvem o transtorno de ansiedade e depressão são pessoas que já apresentam esses quadros como base.” Segundo ela, o uso exagerado poderia incrementar esses quadros. Gustavo Camps, psicólogo da Associação dos Portadores de Transtorno de Ansiedade (APORTA) faz eco à colega e explica que é difícil a comparação dos índices de ansiedade de hoje com os do passado: “Não há dados disponíveis a respeito da saúde mental de pessoas que viveram em épocas mais longínquas para nos servir de parâmetro.”

O que faz os jovens ansiosos, então?. “Os quadros de ansiedade e depressão nos jovens estão muito relacionados com a pressão social que há sobre o adolescente. A pressão de crescer, se desenvolver, ganhar autonomia, passar para o mundo adulto”, aponta Gisela Mattos. No Brasil, em 2017, a taxa de desemprego entre jovens foi a maior desde 1990, com cerca de um terço da população abaixo de 25 anos desempregada. Segundo dados da OMS, o Brasil é o país com a maior taxa de ansiedade do mundo: 9,3% da população sofre com o transtorno. Nos jovens, as taxas são mais alarmantes. O Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA) apontou que, em 2016, um a cada três jovens brasileiros sofria de algum transtorno mental comum. Mas o que a família pode fazer para diminuir o sofrimento desses jovens?

“A família é muito importante. É importante estar sensível aos filhos e perceber quando há uma mudança de comportamento que denote um tipo de sofrimento, seja depressivo ou ansioso.”. diz Gisela. “É muito importante que a família e os amigos não deslegitimem o sofrimento relatado por uma pessoa ansiosa ou deprimida”, completa Gustavo.

Karina ultrapassou a dependência do Instagram com a ajuda da terapia, da psiquiatria e do esforço próprio. E hoje já não passa mais seus dias inteiros na cama vendo seu celular. “É difícil parar, é um vício. Eu comecei a parar de seguir tudo que eu achava tóxico e agora tento dosar esse tempo que fico na internet.”. A doutora Gisela concorda: “A gente precisa se defender tendo consciência de que a estamos vendo [apenas] uma parte das pessoas [nas redes sociais]. O que a gente precisa é entender que a realidade é muito maior que nossos momentos bons.”

Reportagem:  Yuri Ferreira. Edição: Fred Di Giacomo

Aline Werner

Comentários

  • Em minha opinião, o texto “Depressão, ansiedade e redes sociais” apresenta problemas atuais e que consigo observar no meu próprio cotidiano.
    Como é alegado no texto, redes sociais nos causam desconforto. Muitas vezes, isso ocorre por impor padrões de beleza ou por expor as vidas “maravilhosas” de outros.
    A pressão exercida pela sociedade, hoje em dia, realmente, causa distúrbios como a ansiedade e depressão. O sentimento de “nunca ser bom o bastante” assombra muitos jovens.
    As experiências que tenho dentro do meu círculo de amizades e, às vezes, na minha própria vida, só comprovam os fatos do texto.

  • o texto demonstra exemplos de que as redes sociais viciam e, de fato, vemos isso nos jovens que não saem do computador e do celular. Entretanto, acho que seria interessante explicar como o vicio se inicia e como evita-lo nas redes sociais. No texto, são mostrados exemplos de pessoas que sofrem com esse problema. No entanto, acredito que poderiacitar que as redes sociais também ajudam os jovens a sair da depressão. Creio eu que poderiam dar uma sugestão aos produtores de conteúdo. De resto, acredito que o texto tenha sido bem escrito,chamativo, interessante e, mais importante, ajuda os jovens a lidar com esse problema.

  • O texto questiona se lançar transtornos mentais que podemos sofrer estão relacionados com nosso vício na internet. Eu acredito que, em alguns casos, isso pode estar relacionado, mas não na maioria. Como na internet foi inventada para facilitar nossas vidas, acredito que ela não deveria interferir de forma negativa, porém temos que tomar cuidado com seu uso, e não de abalar com tudo. Devemos ser fortes e não ficar tristes com uma postagem sem nenhuma intenção de ofender alguém, como mostra a matéria.

  • Texto super interessante. Temos que refletir mais sobre esses assuntos relacionados à internet, principalmente agora que, a cada dia, ela se desenvolve mais, trazendo qualidades, soluções, mas ao mesmo tempo, traz complicações e problemas.
    Relacionado ao tema de redes sociais, tem um texto chamado ” A felicidade se torna uma obrigação nas redes sociais” disponível no site: amenteemaravilhosa.com.br. Esse texto explica um pouco por que as pessoas postam o que postam e falam também sobre a “felicidade” que elas vendem.
    Também temos que ter em mente que, quem está postando, na maioria das vezes, não posta momentos ruins pelos quais já passaram ou estão passando

  • A depressão e a ansiedade estão mais perto de nós do que imaginamos e só fui perceber a seriedade desses transtornos quando uma amiga minha passou por eles. Além de alterar o equilíbrio da pessoa, esses conflitos psicológicos podem originar outras consequências, como a tentativa de suicídio. Felizmente, essa minha amiga se tratou com a ajuda de especialistas e familiares. Por isso, se você que está lendo esse comentário e estiver passando por um transtorno mental, converse com alguém sobre o que você está sentindo.
    Concordo com o texto nos possíveis motivos desses transtornos nos jovens(as redes sociais e a pressão), pois no mundo globalizado em que vivemos, o celular e a pressão para escolher uma profissão estão presentes. Sei disso, porque experiencio isso no meu dia a dia, mas tento fazer com que isso não afete o meu psicológico.

  • Eu concordo com o que o autor diz no texto “Depressão, ansiedade e redes sociais, pois depressão e ansiedade são doenças que afetam muitos jovens por motivos de se sentirem excluídos ou fora dos padrões da sociedade por sofrerem bullying na internet tornando as redes sociais tóxicas. O texto menciona também que nove em dez meninas afirmaram que a rede piora a maneira de como elas veem seus corpos e muitas parar de seguir o que elas achavam tóxico, prejudicial. Acho essencial o que o texto menciona sobre o apoio familiar, já que, em muitos casos, o adolescente não conta o que está sentindo, tendo pensamentos suicidas e de automutilação. Acredito que o texto fez muitas pessoas se identificarem, principalmente com a ideia de que “o que a gente precisa é entender que a realidade é muito maior q nossos momentos bons.”

  • Eu concordo com o que o autor diz no texto “Depressão, ansiedade e redes sociais, pois depressão e ansiedade são doenças que afetam muitos jovens por motivos de se sentirem excluídos ou fora dos padrões da sociedade por sofrerem bullying na internet tornando as redes sociais tóxicas. O texto menciona também que nove em dez meninas afirmaram que a rede piora a maneira de como elas veem seus corpos e muitas pararam de seguir o que elas achavam tóxico, prejudicial. Acho essencial o que o texto menciona sobre o apoio familiar, já que, em muitos casos, o adolescente não conta o que está sentindo, tendo pensamentos suicidas e de automutilação. Acredito que o texto fez muitas pessoas se identificarem, principalmente com a ideia de que “o que a gente precisa é entender que a realidade é muito maior q nossos momentos bons.”

  • O tema apresentado no texto “Depressão, ansiedade e redes sociais” é extremamente relevante e atual. Inclusive, enquanto eu lia o texto, me lembrava de experiências pessoais e de minhas amigas.
    Quando o autor usou estatísticas no segundo parágrafo sobre autoestima e a maneira como as mulheres vêm os seus corpos, eu fiquei chocada, porém não duvidei daqueles números, pois sei que, quando olhamos as fotos postadas por outras pessoas, acabamos nos achando menores do que realmente somos. Isso também é citado na história de Karina quando ela diz que a ostentação da alegria alheia a afetava fazendo com que ela se sentisse inútil.

  • A aprovação pelo grupo, pela sociedade, não é algo que surgiu com as redes sociais. Ela nasceu com o Homo sapiens como espécie. Podemos ver que a necessidade de aprovação existe em diversas espécies de símios (desde os saguis até os chimpanzés, nossos parentes mais próximos), de felinos, ou de qualquer mamífero que viva em sociedade. Mas o que isso tem a ver com o “aumento” dos quadros de depressão e ansiedade vistos na contemporaneidade?
    Precisamos compreender que os transtornos mentais sempre existiram, e o que as redes sociais trouxeram à tona foi como é difícil para nós lidarmos com as pressões da atualidade para mostrarmos que também somos pessoas de sucesso e que somos “alguém”.
    Como disseram os especialistas, os transtornos mentais não surgiram com as redes sociais. A depressão e a ansiedade são males que acompanham a humanidade, mas nos dias atuais eles se externalizam mais, pois a pressão que, nós sociedade, fazemos nos adolescentes e em nós mesmos é imenso. Em nenhum momento na nossa história nos importamos tanto em sermos felizes, como indivíduos, como hoje. E essa felicidade é atrelada à posse de objetos, ao status social e ao bem estar (estética) do corpo perfeito.
    Por exemplo, para as mulheres mostrar-se ser e ter sucesso significa: ter um trabalho bem remunerado e ser feliz nele todos os dias, ter um parceiro(a) e estar feliz com ele todos os dias, ter uma casa de revista, viajar 2x ao ano para lugares exóticos, ter um corpo de mulher maravilha. Isso é possível?
    Claro que não, mas é essa a realidade que aqueles que estão nas redes sociais pregam, porque eles são vistos como modelos de vida, e o ser humano precisa de modelos.
    E é nessa necessidade de modelos que o papel dos pais, da escola e da sociedade se faz necessário em trabalhar aquilo que os modelos não mostram: o fracasso, as perdas, as tristezas, aceitar-se como um ser que está em constante aprendizagem e crescimento e é passível de falhas.
    Passar por momentos difíceis, por fracassos faz parte da nossa jornada como seres humanos, e não podemos fechar os olhos para isso, como fazem as redes sociais. Devemos dar tanta importância a esses momentos como aos de alegria e sucesso, pois eles se repetiram inúmeras vezes ao longo da vida. A falta de empatia com os momentos difíceis mostra que só somos queridos e amados quando estamos bem, felizes e com sucesso.
    O papel da família, da escola e dos amigos nas fases difíceis é ouvir, confortar, mostrar que existem outros caminhos e até apontar a necessidade de ajuda profissional.
    Impedir ou proibir o uso das redes sociais não mudará esse cenário, o que devemos fazer é discutir com nossos filhos e alunos qual significado de viver, quem decidiu que aquele modelo é o ideal para nós? Quem apontou que esse estilo de vida é o melhor? Por que não é melhor criar o seu próprio estilo de roupa a ter que seguir as tendências de moda da influencer X, Y ou Z? Isso é construir uma auto-estima forte e mostrar que aceitamos e amamos o outro como ele é.