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Como preparar nossas crianças para o futuro do trabalho?

No terceiro dia de SxSW Edu 2018  um dos temas mais esperados foi a sessão da Adobe sobre habilidades essenciais que os alunos de hoje precisam desenvolver para se prepararem para os empregos do futuro, na era da automação. A sessão foi apresentada pela Tracy Trowbridge da Adobe e pelo Jonathan Rochelle da Google.

Há algum tempo falamos sobre a necessidade de desenvolver em nossas crianças habilidades e competências para o século XXI e discutimos como prepará-las para empregos que ainda não existem. Algumas importantes pesquisas nacionais e internacionais já apontaram as principais competências do profissional do futuro, tais como: pensamento crítico, resolução de problemas e criatividade.

Apesar do nosso conhecimento sobre o tema, há um descompasso entre as necessidades da força de trabalho do futuro e o que os alunos de hoje estão aprendendo na sala de aula. Será que essas competências e habilidades estão sendo desenvolvidas para a próxima geração que enfrentará um novo cenário no mercado de trabalho concorrendo com a automação e a inteligência artificial?

Para explorar o desenvolvimento dessas habilidades em sala de aula, o que os educadores e gestores de políticas públicas pensam e o quão críticas elas são para futuro do trabalho, a Adobe realizou um estudo envolvendo 1600 educadores e 400 influenciadores e formuladores de políticas públicas nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Japão.

O conceito de resolução de problemas foi definido como “o processo de redefinição de problemas e oportunidades, abordando novas e inovadoras respostas e soluções, e agindo para solucioná-los”. Dentre as habilidades que englobam essa macro competência e são fundamentais para a capacidade dos estudantes de ter sucesso na força de trabalho, estão incluídos: aprendizado auto-dirigido; aprendizado por meio de erro/acerto; trabalho com equipes diversas; diálogo e capacidade de expressar suas ideias; persistência, determinação e espírito empreendedor; aceitação de desafios e riscos; gestão de conflitos, e pensamento inovador.

Não foi surpresa verificar que 74% dos educadores pesquisados ​​acreditam que os alunos precisam desenvolver essas habilidades para proteger seu futuro, pois as profissões que exigem resolução criativa de problemas são menos propensas a serem afetadas pela automação. Além disso, 85% concordaram que essas mesmas habilidades estão em alta demanda pelos empregadores atuais para carreiras de alto nível e de maior remuneração.

Alarmante foi identificar que, apesar de 90 % dos educadores e formuladores de políticas públicas acreditarem que a resolução de problemas criativos deve ser integrada em todos os currículos, esse conjunto de habilidades críticas não é enfatizado o suficiente nas escolas hoje devido às barreiras que os educadores enfrentam – de orçamentos apertados e falta de recursos a modelos de avaliação desatualizados. O desafio é vasto, visto que mais da metade dos educadores declararam não possuir ferramentas, conhecimento ou treinamento para ajudar os alunos a desenvolverem habilidades criativas de resolução de problemas.

Dentre as possíveis soluções para preencher essa lacuna, os educadores apontaram o investimento em desenvolvimento profissional, a alteração e/ou flexibilização dos modelos de avaliação, mais recursos e investimentos em tecnologia, maior controle e adequação dos currículos e priorizar o acesso à tecnologia para o público de estudantes mais vulneráveis.

Aline Werner

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