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Balanço da Educação em 2020: o que as escolas levarão deste ano?

Mudanças na relação escola-família, dificuldades no acesso à tecnologia e professores como mediadores são alguns dos legados de 2020

Mudanças profundas na educação são resultados dos desafios enfrentados pela educação ao longo de 2020. A Pandemia de covid-19 alterou radicalmente a estrutura educacional do Brasil e do mundo, rompendo comportamentos sedimentados e propondo um novo olhar para os processos de aprendizagem. Com isso, antecipou-se uma transformação que aconteceria nas salas de aula nos próximos anos.

Educadores de escolas públicas e privadas sentiram o impacto dessas mudanças de maneiras distintas. Novas atribuições, acumulo de funções e o ensino remoto são alguns pontos convergentes, no entanto, a disparidade no acesso à tecnologia, formação complementar e falta de políticas públicas efetivas distanciam essas realidades.

Estamos mais tecnológicos?

A presença de computadores, tablets, atividades online e metodologias ativas já eram realidade em diversas instituições privadas. No entanto, milhares de alunos do ensino público brasileiro não possuíam ao menos acesso à internet em suas residências.

Ainda que a falta de políticas públicas efetivas tenha distanciado ainda mais os alunos de escolas públicas e particulares durante a pandemia, o ecossistema educacional experimentou mudanças profundas no uso de tecnologias. Instituições e educadores que resistiam ao uso de dispositivos eletrônicos se viram sem saída frente à necessidade de implementar o ensino remoto.

No entanto, até mesmo os educadores que não se opunham às tecnologias enfrentaram dificuldades de adaptação. A falta de conhecimento das plataformas e ferramentas online, inexperiência no desenvolvimento de atividades remotas e as fragilidades na formação destes profissionais tornaram o momento ainda mais delicado para a educação.

Ainda que o pontapé inicial tenha sido dado e o futuro possa ser promissor, torna-se fundamental a estruturação de ações que reduzam as disparidades tecnológicas de alunos e professores – especialmente em escolas públicas.

Relação escola-família

Os pais exerceram novos papeis durante o ensino remoto. Se antes era comum visitar a escola e saber do processo de aprendizagem dos filhos apenas nas reuniões escolares, a pandemia aproximou os pais em um espaço de aprendizagem conjunta. Famílias mais participativas estimulam a autonomia dos alunos e aproximam os professores, reconduzindo a hierarquia de aprendizado enraizado em centenas de salas de aula.

Além disso, as escolas precisaram abrir um novo canal de comunicação e interação com as famílias, estabelecendo um diálogo efetivo para fortalecer os laços. Foi preciso se comunicar com empatia e respeito para que as famílias pudessem compreender as etapas de aprendizagem e auxiliar neste processo, já que estavam presencialmente com os alunos.

Ainda que caminhem a pequenos passos, a abertura deste novo canal para o relacionamento pode aproximar as famílias do ambiente escolas e promover frutos promissores em 2021.

Professores mediadores, alunos protagonistas

Durante a pandemia, professores e educadores enfrentaram novos desafios e tiveram que exercer a criatividade. O ambiente de trabalho virou a própria casa, ao passo que o acúmulo de funções e novas atribuições se tornaram rotineiras.

Nas salas de aula virtuais, a necessidade de propor maneiras alternativas de ensinar e o acompanhamento à distância dos alunos reinventaram o papel destes profissionais no processo de aprendizagem. Metodologias ativas, ensino híbrido e formação tecnológica não estiveram teorizadas nos processos de ensino de centenas de professores, no entanto, foram vivenciadas na prática por muitos deles.

A pesquisa realizada pelo Instituto Crescer em setembro de 2020 aponta que a maioria dos profissionais da educação aprenderam sozinhos ou com outros professores a utilizar os recursos tecnológicas para as aulas remotas, como plataformas de gestão de espaços virtuais e produção de vídeo-aulas.

Reprodução/Instituto Crescer

Além disso, as adaptações necessárias para enfrentar as dificuldades em engajar os alunos fizeram com que os professores ocupassem um novo papel – agora como mediadores. Neste novo cenário virtual, a necessidade de definir o que funcionava melhor para si mesmo fez com que os alunos se tornassem protagonistas do próprio processo de aprendizagem.

Habilidades socioemocionais

Por fim, a pandemia evidenciou a necessidade de encarar o desenvolvimento de habilidades socioemocionais – já previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Lidar com o distanciamento social, aprendizado remoto, frustrações, resiliência e a necessidade de fortalecer laços sociais tornam urgente a aprendizagem socioemocional de crianças e adolescentes.

No pós-pandemia, a construção de vínculos e espaços de integração entre as turmas na educação infantil, a construção de laços afetivos e sentimento de pertencimento no ensino fundamental e o autogerenciamento de propósitos para o projeto de vida no ensino médio são os aspectos mais desafiadores para cada uma das faixas etárias, listados pela Giovana Alfredo, Especialista Educacional no SAS Plataforma de Educação, para o jornal Estado de Minas.

Maria Gabriela Zanotti

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