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Admirável mundo velho: vivemos em uma distopia?

Filmes, séries e livros fazem sucesso apresentando versões de um futuro apocalíptico. Você pode não saber, mas alguns traços desse futuro já está acontecendo.

“Jogos Vorazes”, “The Handmaid’s Tale”, “Blade Runner 2049”, “3%”, “Black Mirror”… As distopias povoam sucessos de cinema, televisão e literatura, nos fazendo sonhar com um futuro em que as coisas não deram muito certo. Mas o que significa distopia, afinal? Distopia é a antítese de utopia. No lugar de um mundo perfeito e idealizado, ela apresenta um futuro totalitário, opressivo ou marcado pela escassez e por catástrofes.

Num século XX marcado pela disputa entre os modos de produção e organização capitalista e comunista (isso te faz lembrar estas eleições?), autores como George Orwell e Aldous Huxley se eternizaram ao publicarem romances distópicos. “1984”, de Orwell, e “Admirável Mundo Novo”, de Huxley, apresentam o terror de viver sob o controle total ao ponto de ter os desejos e pensamentos dominados pelo governo.

Ambos se inspiraram em traços da realidade para construção de suas histórias. Orwell, que era socialista, se inspirou nos horrores do totalitarismo soviético para fazer “1984”, já Huxley tirou muito da sátira presente em “Admirável Mundo Novo” do fordismo, consumismo e hedonismo que encontrou na sociedade norte-americana.

O presente e o passado da história da humanidade reúnem alguns fatos que parecem ter saído diretamente de uma obra de ficção. Saiba mais abaixo e, ao final do texto, teste seus conhecimentos! 

Imagine o cenário: admiração a um grande líder político, e repúdio e ódio por outro. Seções de xingamento coletivo a uma imagem do político odiado exibida na tela, e, como item obrigatório, na casa de todos, televisões inteligentes que captam comandos de voz. Te pareceu o cenário de uma casa moderna atual com pessoas usando a Internet e xingando seus desafetos políticos nas redes sociais?

Se sim, saiba que, na verdade, essa é uma breve descrição da distopia narrada no livro “1984”. As chamadas “teletelas”, presentes na história, são um equipamento não só de comunicação, mas de espionagem do governo (alguém aí se lembra do escândalo em que o governo americano espiona seus cidadãos e 75% da Internet?), e o ritual coletivo de ódio a Goldstein, opositor do partido dominante do Grande Irmão (Big Brother), acontece esporadicamente com xingamentos e manifestações calorosas contra a exibição de sua imagem.

Parece “1984”, mas é só realidade. Em 2015, a invasão de privacidade das Smart TVs ganhou destaque na mídia. Foi descoberto que as versões do produto que contavam com a opção por acionamento de voz também captavam os sons e as conversas ao seu redor sem prévio aviso e todas as informações eram armazenadas em um banco de dados.

Os smartphones também podem ‘ver’ e ouvir e, assim, capturar nossos dados. Embora as empresas neguem que nos espionem, não é incomum conversar sobre determinado assunto perto deles e logo ser bombardeado com anúncios de produtos relacionados ao usarmos os celulares para navegar na Internet. “Isso é Muito Black Mirror!”, se você é fã da série exibida no Netflix é provável que tenha balbuciado essa expressão exatamente agora. (Juramos que não estamos te ouvindo).

O seriado, criado por Charlie Brooker, tem um de seus melhores episódios, Shut up and dance, baseado em uma premissa similar. Melhor não contarmos muito para preveni-lo de spoilers, mas é das melhores coisas já feitas para televisão (ou computador, he, he, he.).

Nos EUA, há aproximadamente um carro para cada adulto. Ao todo, o país tem cerca de 231 milhões de automóveis. No mundo, existem aproximadamente 850 milhões. Se esse gosto pelas quatro rodas fosse igual em todos os outros países, o número saltaria para 5,12 bilhões, ou seja, em um ano consumiríamos todo o petróleo da Terra.

“Existe uma ameaça objetiva que é exaurir recursos não renováveis. Se todos os habitantes do planeta consumissem como um norte-americano, seriam necessários quase cinco planetas como o nosso”, afirma Paulo Alexandre de Moraes, sociólogo e mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Para não vivermos uma distopia ao sabor de “Mad Max”, série de filmes australianos em que o fornecimento de petróleo entrou em colapso, o melhor caminho é repensarmos formas de consumo sustentável e substituir combustíveis fósseis por renováveis – essa tecnologia já chegou aos automóveis com os Teslas, de Elon Musk.

Será que você consegue separar distopia da realidade? Clique na imagem abaixo e descubra.

Giacomo Vicenzo & Fred Di Giacomo

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